Este ano com um novo percurso – com partida em Carcavelos e chegada, como habitual, ao Terreiro do Paço -, a EDP Maratona de Lisboa apresentou esta sexta-feira um pelotão de elite capaz de fixar tempos bastante rápidos, inclusivamente melhorar os registos que perduram como máximo da prova lisboeta (e que também são os tempos mais rápidos de sempre em solo nacional).
Este ano, pela primeira vez na história, a maratona decorre no sábado (pelas 8 horas), com a meia maratona e os 8 quilómetros a correrem-se no domingo (pelas 9:20 horas – com partida na Ponte Vasco da Gama. A meta, tal como na maratona, será no Terreiro do Paço. Uma mudança logística que se justifica essencialmente pelo aumento considerável do número de inscritos para a distância principal, dos 8 mil do ano passado para os 15 mil deste ano.
Maratona com nomes para atacar recorde da prova
No masculino, salta à cabeça o nome do etíope Gadisa Birhanu Shumie, vencedor da Maratona de Sevilha de 2023, com 2:04:59 que ainda são o seu recorde pessoal, e ainda Betesfa Getahun (2:05:28, em 2019). Shumie e Getahun são os únicos com recorde pessoal melhor do que o recorde lisboeta (2:05:45, de Andualem Belay Shiferaw, 2022), mas o restante do pelotão masculino apresenta boas credenciais para tempos rápidos, com mais nove homens abaixo das 2:08 horas.
Incluindo o compatriota Adugna Bikila Takele, com 2:05:52 feitos em Sevilha há 3 anos, que na altura lhe valeram o 4.º posto. Nota ainda para o queniano Evans Korir, este ano terceiro na Maratona da Europa em Aveiro com 2:15:25, mas com 2:06:35 de recorde pessoal (feito em 2018); e o etíope Limenih Getachew, com 2:06:47 de máximo pessoal, e que este ano já correu duas maratonas: 2.º em Madrid (2:09:28) e 7.º em Harbin, China (2:13:21).
De entre os presentes, Dejene Hailu é aquele que apresenta melhor marca feita este ano, com os 2:07:03 que alcançou em janeiro no Dubai. Três meses depois ainda competiu em Roterdão, para ser 11.º com 2:09:48.
Elite masculina
Gadisa SHUMIE ETH 2:04:59 (Sevilha 2023)
Betesfa GETAHUN ETH 2:05:28 (Amesterdão 2019)
Adugna BIKILA ETH 2:05:52 (Sevilha 2022)
Evans KORIR KEN 2:06:35 (Daegu 2018)
Limenih GETACHEW ETH 2:06:47 (Siena 2021)
Dejene HAILU ETH 2:07:03 (Dubai 2025)
Tadesse TEMECHACHU ETH 2:07:04 (Roma 2022)
Zablon CHUMBA KEN 2:07:13 (Doha 2023)
Kiprono BYEGON KEN 2:07:22 (Abu Dhabi 2024)
Mengistu GEZAHAGN ETH 2:07:56 (Munique 2022)
Abdela GEMEDA ETH 2:08:06 (Oita 2020)
Eliasa KIBET KEN 2:08:47 (Padova 2024)
Gideaon CHEPKONGA KEN 2:08:53 (Abu Dhabi 2024)
Nas senhoras, a marca do percurso antigo está em 2:24:13 desde 2016 e há três mulheres com máximo abaixo desse registo: Tadelech Alemu (2:21:40, 2018), Meseret Dinke (2:22:52, 2022) e Abebech Afework (2:23:33, 2015). Além deste duo, há ainda mais outras duas atletas abaixo das 2:25, pelo que é expectável um potencial ataque a esse tempo, que também poderia acabar numa melhor marca de sempre em solo português.
Nome mais cotado da elite, mercê do seu recorde pessoal, que na altura lhe valeu o 3.º posto na Maratona de Londres de 2018 (2:21:40), Alemu procura reencontrar-se com os bons resultados, depois de ter feito duas maratonas bem modestas nos últimos 5 anos: 2:30:04 em 2022 e 2:37:49 em 2024. Quanto a Afework, este ano já correu duas maratonas e subiu ao pódio em ambas, para ser 3.ª em Marraquexe (2:30:44) e em Copenhaga (2:28:37). Dinke, por seu turno, ficou muito perto do seu recorde pessoal no ano passado em Barcelona (2:22:58).
De entre as presentes, a que mais rápido correu este ano foi a queniana Deborah Chepngetich Sang, com os 2:26:51 que lhe deram a vitória em Belgrado.
Elite feminina
Tadelech ALEMU ETH 2:21:40 (Londres 2018)
Meseret DINKE ETH 2:22:52 (Abu Dhabi 2022)
Abebech AFEWORK ETH 2:23:33 (Dubai 2015)
Deborah SANG KEN 2:26:51 (Belgrado 2025)
Rael KINYARA KEN 2:25:23 (Eindhoven 2011)
Obse DEME ETH 2:27:14 (Taipei 2023)
Emily CHEBET KEN 2:24:49 (Roterdão 2024)
Asmare ASSEFA ETH 2:28:22 (Riade 2024)
Obseni ADILO ETH 2:33:54 (Daegu 2025)
Enyish BIRKIE ETH 2:34:26 (Mumbai 2025)
Petra PASTOROVÁ CZE 2:36:44 (Praga 2013)
Meia maratona promete equilíbrio
Quanto à elite da meia maratona, que este ano parte também da Ponte Vasco da Gama, não há nenhum homem abaixo da hora ou do recorde do percurso (Titus Ekiru, 1:00:12, em 2019), mas o equilíbrio é a nota dominante e há três atletas na casa dos 60 minutos. E ainda outros três com 61 minutos, incluindo Rui Pinto (1:01:52), o melhor português da elite.
Relativamente aos mais bem cotados em termos de marcas, os quenianos Wisley Yego (60:32), Felix Kibet (60:51) e Esau Kemboi (60:55) apresentam-se com tempos abaixo dos 61 minutos, todos eles com registos feitos já este ano. Nota ainda para o norte-americano de origem eritreia Futsum Zienasellassie (61:21) e também para a estreia do queniano Vincent Mutai na meia maratona (um homem de 3:35.45 aos 1.500 metros – feitos em 2012 – e que na transição para a estrada o melhor que fez foi 2:15:12 na Maratona de Ravenna do ano passado).
Em relação a portugueses, André Pereira volta à meia maratona num ano em que baixou a sua marca para 1:02:20 e em que esteve nos Europeus de estrada. O eterno Hermano Ferreira também estará presente, tal como Miguel Marques, também ele com a presença nos Europeus no registo do ano.
Elite masculina
Vincent MUTAI KEN Debut
Futsum ZIENASELLASSIE USA 61:21 (Hardeeville 2021)
Esau KEMBOI KEN 60:55 (Albacete 2025)
Rui PINTO POR 61:52 (Barcelona 2025)
Mikiyas SHIRTAGA ETH 62:10 (Madrid 2025)
Eric NZAMBIMANA BUR 62:22 (Albacete 2024)
Andreas VOJTA AUT 62:32 (Viena 2023)
André PEREIRA POR 62:20 (Sevilha 2025)
Gashaw FIKADU ETH Debut
Daniel SANKEI KEN N/A
Kuma DEBEL ETH 62:53 (Mainz 2024)
Felix KIBET KEN 60:51 (Den Haag 2025)
Eliud KEMBOI KEN 62:45 (Incheon 2025)
Darious KIPKIRU KEN Debut
Raul CELADA ESP Debut
Jummanne NGOYA TAN Debut (27:50 - 10k)
Emanuel DINDAY TAN Debut (28:15 - 10K)
Humnaol AYALEW ETH Debut
Hermano FERREIRA POR 61:24 (Torres Vedras 2011)
Mikael JOHNSEN DEN 63:50 (Copenhaga 2022)
Miguel MARQUES POR 63:28 (Valência 2024)
João CARVALHO POR 69:39 (Lisboa 2025)
Hélder SANTOS POR 65:00 (Lisboa 2017)
Já nas senhoras, há quatro mulheres abaixo das 1:10 horas, incluindo a sul-africana Glenrose Xaba (1:08:37), a recordista nacional da maratona que em Lisboa tentará bater também o máximo do seu país na ‘meia’ (1:06:44). Se o fizer, irá também quebrar o recorde do percurso, fixado em 1:06:54 por Peres Jepchirchir em 2019.
Nota também para a estreia na meia maratona das etíopes Lomi Muleta Tefera, recente 8.ª colocada na final dos 3.000 metros obstáculos dos Mundiais de Tóquio e que tem nessa disciplina 9:06.07 minutos de recorde pessoal, e Abezu Kebede Aschale, com 15:20.46 nos 5.000 metros feitos este ano.
Lisboa terá também novamente as melhores atletas nacionais, incluindo Susana Santos e Solange Jesus, que recentemente estiveram no Mundial de Tóquio, e ainda a veterana Mónica Silva.
Elite feminina
Glenrose XABA RSA 68:37 (Gqeberha 2023)
Cynthi CHEPKWONY KEN 68:34 (Krems 2025)
Chaltu DIRIBA ETH 68:37 (Lisboa 2025)
Regina NDUNGU KEN 69:03 (Lisboa 2025)
Susana SANTOS POR 70:47 (Valência 2024)
Solange JESUS POR 72:03 (Roma 2024)
Lomi TEFERA ETH Debut
Purity KIPKOECH KEN 74:23 (Porto 2025)
Fatiha ASMID MOR 70:29 (Laayoune 2019)
Emeline DELANIS FRA 74:25 (Washington 2022)
Marta CEPERUELO ESP Debut
Alberte PEDERSEN DEN 71:20 (Copenhaga 2025)
Janice STUDLER SWI 78:29 (Zurique 2024)
Monica SILVA POR 71:37 (Valência 2024)
Diana CHUMBA KEN 69:39 (Breda 2024)
Dorine JEPCHIRCHIR KEN 70:19 (Ravenna 2024)
Noshim KIMUGE KEN 73:13 (Famalicão 2025)
Atuais recordes
EDP Maratona de Lisboa
Masculino: Andualem Belay Shiferaw, 2:05:45 (2022)
Feminino: Sarah Chepchirchir, 2:24.13 (2016)
Hyundai Meia Maratona
Masculino: Titus Ekiru, 60.12 (2019)
Feminino: Peres Jepchirchir, 66.54 (2019)

