O Grand Slam Track (GST), a liga de atletismo profissional de alto impacto fundada pelo lendário velocista Michael Johnson, anunciou que apresentou um pedido voluntário de Chapter 11 no Tribunal de Falências dos EUA para o Distrito de Delaware.
Este passo, que na prática equivale a um processo de reorganização judicial em Portugal, visa proteger a liga da falência imediata e permitir que a sua estrutura financeira seja reabilitada sob supervisão judicial. A notícia surge após meses de intensa especulação e crescentes dificuldades, com o GST a enfrentar desafios significativos, incluindo o cancelamento da etapa final da sua temporada inaugural e uma dívida substancial a atletas e fornecedores.
A liga foi lançada com a ambição de revolucionar o atletismo, prometendo salários base e prémios monetários recorde que visavam valorizar os atletas muito acima dos valores praticados em outras competições de elite, como a Diamond League. Michael Johnson chegou até a dizer que só podia salvar o “track” (pista) e não o “field” (disciplinas técnicas). Pelos vistos nem um… nem o outro.
No entanto, o projeto viu-se rapidamente numa situação insustentável. As investigações revelaram que, embora o GST tenha inicialmente declarado ter garantido mais de 30 milhões de dólares em compromissos financeiros, apenas uma parte desse valor foi efetivamente disponibilizada.
Como consequência, a liga acumulou uma dívida superior a 10 milhões de dólares (cerca de 9,3 milhões de euros) a atletas, por prémios e taxas de participação não pagas, e a diversos fornecedores. A crise de liquidez forçou o cancelamento da etapa de Los Angeles, prevista para encerrar a temporada de estreia, devido às “más condições económicas”.
O que se segue
A decisão de avançar para o Chapter 11 ocorre após tentativas frustradas de resolver os problemas de pagamento e de negociar acordos com os credores. Recentemente, a liga propôs aos seus fornecedores um pagamento de apenas 50% dos valores devidos, uma proposta que foi rejeitada pela World Athletics, o organismo regulador mundial, que exigiu que o GST saldasse primeiro a totalidade das dívidas pendentes com os atletas.
Ao optar pelo Chapter 11, o Grand Slam Track consegue congelar a maioria das suas obrigações financeiras e proteger-se de ações legais imediatas, dando-lhe tempo para implementar um modelo operacional e de custos mais eficiente.
Michael Johnson, fundador do Grand Slam Track, reconheceu as “frustrações e dificuldades causadas pelos atrasos nos pagamentos”, mas manteve a sua determinação em relação ao futuro da liga. Johnson afirmou que, apesar dos desafios significativos, se recusa a “desistir da missão do Grand Slam Track e do futuro que estamos a construir em conjunto”. A sobrevivência e o eventual regresso da liga, que planeava expandir eventos e ofertas de média, dependem agora integralmente do sucesso deste complexo processo de reorganização judicial.

