A marca sueca revelou os bastidores nutricionais da Maratona de Londres (1:59:30), destacando que o segredo não esteve apenas nos 115g de hidratos por hora – ou nas tão faladas sapatilhas da adidas -, mas num exaustivo protocolo de testes nutricionais e “treino de intestino” que durou meses.
A quebra da barreira das duas horas por Sabastian Sawe é o culminar de uma colaboração profunda entre o atleta e os cientistas da Maurten. Para que o queniano conseguisse manter os impressionantes de 2:50 min/km de média, a marca detalhou um processo de preparação que transformou a nutrição numa ciência de precisão, suportada por um plano de testes rigoroso.

O protocolo de testes: validar o limite
A Maurten sublinha que o sucesso em Londres começou muito antes da linha de partida. Sawe foi submetido a um protocolo de validação em ambiente de treino para garantir que o seu organismo seria capaz de processar 115 gramas de hidratos de carbono por hora sob esforço máximo.
- Simulação de Ritmo de Prova: Os testes foram realizados em sessões de tempo run e séries longas, onde a ingestão foi monitorizada para verificar a taxa de oxidação e a tolerância gástrica.
- Optimização do Hidrogel: Através destes testes, ajustou-se a proporção exata entre o Drink Mix 320 e o Gel 100. O objetivo era encontrar o equilíbrio que permitisse a entrega máxima de energia sem qualquer oscilação nos níveis de glicose no sangue.
- Treino do Intestino (o chamado “Gut Training”): O protocolo incluiu a adaptação do sistema digestivo. Sawe “treinou” o seu intestino para aumentar o número de transportadores de hidratos de carbono, permitindo que o corpo absorvesse quantidades que, para a maioria dos atletas, causariam paragens forçadas por problemas gastrointestinais.
Ao todo, segundo a Maurten, entre início de 2025 e abril deste ano foram feitas 6 viagens específicas ao Quénia para trabalhar este processo, num total de 32 dias de estadia. Tudo para que as 1:59:30 fossem uma realidade.


O fator bicarbonato: testado sob pressão
Outro ponto central detalhado pela Maurten foi a integração do Bicarb System na sua nutrição. O protocolo de testes serviu para determinar o timing exato da ingestão do bicarbonato para que o efeito de “tamponamento” da acidez muscular atingisse o pico no momento em que Sawe mais precisaria: os últimos 10 quilómetros da maratona. Daí o facto do queniano ter ingerido este composto pelas 6:45 da manhã, a cerca de 2:45 horas do tiro de partida.
Este sistema permitiu que o atleta mantivesse a eficiência da passada mesmo quando a produção de lactato ameaçava reduzir o seu rendimento, neutralizando a acidez de forma controlada e sem os efeitos secundários típicos do bicarbonato de sódio comum.
Mais do que nutrição, uma ferramenta de performance
Para a Maurten, o detalhar deste processo serve para demonstrar que a nutrição de Sawe foi “testada e provada” exaustivamente. Não se tratou de uma tentativa baseada na sorte – ainda que tenha certamente havido falhas no processo de teste -, mas de um plano onde cada grama de hidrato ingerido tinha uma função específica validada em meses de dados recolhidos no terreno.
Com este protocolo, Sawe não só venceu o cronómetro, como provou que o teto da performance humana pode ser elevado quando o treino físico e a ciência nutricional avançam em absoluta sintonia.

O plano revelado pela Maurten mostra que tudo começou a ser desenhado na sexta-feira, com Sawe a ingerir uma carteira de Drink Mix 320 para aumentar a ingestão de HC (78g no total de cada pacote). No sábado, além do natural “carb load” – desconhecido até agora… -, o queniano ingeriu ainda duas carteiras de Drink Mix 320 e ainda um Solid 160, para um total de 196 gramas de HC apenas por via dos produtos da marca.
Depois, no domingo, o dia da verdade. Primeiro, 3:30 antes do tiro de partida, Sawe ingeriu o seu pequeno almoço de sempre – duas fatias de pão com mel e chá. Depois, 2:45 antes da partida, o Bicarb 15. No caminho para a partida foi bebendo nova carteira de Drink Mix 320 e, a 5 minutos do arranque, um Gel 100.
Depois, em prova, os tais 115 gramas de hidratos de carbono por hora, repartidos por Drink Mix 320 a cada 5 quilómetros e ainda um Gel 100 aos 20k. O queniano falhou apenas um dos abastecimentos, aos 35k, ainda que depois da prova tenha dito que foi algo planeado à partida.

