As HOKA Cielo X1 3.0 são, muito provavelmente, o modelo mais rápido que já testámos por aqui. E a lista é bem longa e conta com rivais de peso, desde as adidas Adizero Adios Pro Evo 1 às Puma Fast-R Nitro Elite 3. Mas isso não significa que seja um modelo que entre diretamente para o nosso top. Porque há muito mais a pesar na hora de definir se um modelo é excelente, bom, razoável ou mau para lá da velocidade pura a que nos permite correr. As Cielo X1 3.0 são um bom exemplo disso mesmo.
Porque, apesar de terem toda essa velocidade pura, perdem muitos pontos pela instabilidade que oferecem em praticamente todos os momentos de uso. Pelo menos para nós, humanos, para quem o recorde nos 21 quilómetros anda pelas 1:23 e dos 42k nas 2:55. Quem escreve esta análise não é elite, longe disso. Nem tão pouco um corredor bastante rápido. Mas move-se a ritmos que são minimamente aceitáveis para usar modelos de performance com espumas super responsivas. Ora, as Cielo X1 3.0 mostram que é preciso ser mais rápido para domá-las.
Para a elite, para quem rola facilmente em torno de 4’00/km ou abaixo disso, são um modelo que até pode ser uma boa aposta. Se calhar das melhores que há até. Mas mais lento do que isso é quase aquilo que os ingleses apelidam de ‘Recipe for Disaster‘. Quem tenha uma técnica menos apurada, que prone (muito) ligeiramente… pode facilmente torcer o tornozelo e arranjar um problema daqueles. E mesmo com cuidado, a verdade é que se nota final da corrida que o tornozelo fica algo mais dorido, provavelmente pela tensão excessiva que o controlo excessivo provoca.
Especificações técnicas
| Peso | 195 gramas (42 EU) |
| Drop | 7mm (38mm – 31mm) |
| Uso recomendado | Performance, para ritmos (bem) rápidos |
| Preço | 300 € (preço em desconto abaixo) |
| Disponibilidade | já disponíveis |
Hoka Cielo X1 3.0
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Sensação de corrida
A saga Cielo X1 mostra, de certa forma, uma espécie de experimentalismo por parte da HOKA, quase como se andasse a fazer testes em tempo real aos modelos que lança. Se não vejamos as evoluções que a marca fez na forma como dispôs a sola nos 3 modelos que já lançou. Na primeira versão, a mais estável de todas – e aquela que mais gostamos -, a marca francesa decidiu-se por um corte na meia-sola do lado exterior. Na segunda decidiu passar esse corte para o interior, criando até uma separação clara. Na terceira, nova mudança: agora o corte é ao meio.
A imagem abaixo mostra perfeitamente as diferenças. Pode parecer apenas um pormenor, mas a verdade é que, com uma espuma tão macia (com uma altura dentro dos limites da World Athletics), qualquer erro aqui pode ter o preço de estragar tudo. Viu-se um pouco isso na 2.ª versão, que era perfeita em tudo – do amortecimento, à responsividade, ao conforto… -, mas que pecava na estabilidade. A terceira versão, com aquele corte ao meio, manteve o problema. E, se calhar, até o agravou. Porque apesar de ser rapidíssimas, as 3.0 são bastante complicadas de domar.

E isso torna a sua utilização muito limitada a provas e a treinos a ritmos bem rápidos, os próximos ou mais rápidos do que o ritmo de prova. Até aquecer de forma ‘alegre’ antes de um treino de séries ou longo rápido se sente algo complexo e estranho. Porque as Cielo X1 3.0 pedem velocidade. Muita velocidade. Se não as espremem ou colocam o pé de forma a aproveitar o rocker, qualquer momento em que aterrem algo mais com a parte traseira do pé vai fazer-vos perceber que andam a baloiçar nas sapatilhas. E isso não é só provocado pela espuma macia, mas acima de tudo pelo tal corte na espuma, que divide os dois lados até ao calcanhar. Isso faz com que, se tiverem tendência para pronar ou supinar, o pé acabe sempre por torcer em demasia e, no final, provocar algumas dores no solear e tornozelo pela constante necessidade de controlar a passada para não torcer.

O upper
Visualmente falando, adoramos a proposta que a HOKA apresentou. Um modelo de performance quer-se com aquele toque agressivo, aquela sensação de que está sempre pronto a ‘rosnar’. As Cielo X1 3.0 são tudo isso. Visualmente são provavelmente o racer que mais jus faz a essa catalogação.
Mas como há mais do que o visual, outros pontos pesam na análise. E são quase todos positivos. Não sendo muito estruturado, o upper tem o suporte necessário para manter a estrutura com o passar do tempo e, por outro lado, conta com uma malha extremamente respirável, mesmo a jeito para estes meses de verão. Apesar do peso reduzido, tem um considerável enchimento de esponja na zona de proteção do tornozelo e do calcanhar, mas aqui reside também um dos problemas. Esse maior enchimento de esponja, pela forma como está desenhado, parece conduzir eventualmente a um desgaste maior do que o esperado do acolchoamento do calcanhar – porque tende a dobrar e romper-se com o tempo.
Por outro lado, a língua é bastante fina, digna de um modelo de performance, e os cordões parecem-nos um bom acerto pela forma como mordem e não se desapertam. O único ponto menos negativo aqui é o facto dessa língua não estar cosida nas laterais, o que faz com que facilmente fique dobrada (por ser tão fina) ao apertar os cordõees e provoque algum desconforto.
Ainda assim, tudo pesado, este upper está muitíssimo bem conseguido.



O composto de sola
Num modelo que se sente bastante instável, a verdade é que o composto da sola é um grande responsável em tornar a nota em algo bem menos negativo.
Porque este composto, pela forma como está disposto, mas também pela qualidade da borracha, agarra de forma impressionante. Morde o asfalto sem qualquer hesitação. Mesmo em terra batida ou piso molhado, a tração está lá de forma praticamente perfeita. A nível de durabilidade, não as pudemos testar de forma exaustiva, mas os sinais de desgaste são nulos, pelo que acreditamos que seja um racer bastante durável. Algo que acaba por ser raro no mercado atual e que, considerando o preço deste modelo, até se agradece.

Valem a pena?
Se forem corredores bastante rápidos (com facilidade para correr abaixo de 4’00/km – pelo menos – aos 10 quilómetros), pode ser um modelo interessante para aqueles momentos de esforço máximo. Se não for esse o caso, há no mercado modelos bem mais estáveis. Aliás, praticamente todos os demais concorrentes são muito mais estáveis.
Em suma, a HOKA construiu aqui uma verdadeira máquina de velocidade. A espuma é ultraresponsiva e a agressividade nem é tão castigadora nas pernas como outros modelos. Mas numa próxima evolução terá de ter atenção à forma como corta a meia-sola. Basta apenas manter os dois lados unidos de alguma forma. Se assim o fizerem, as 4.0 serão um caso bem sério. Cá estaremos para ver!



HOKA Cielo X1 3.0 - análise ponto a ponto
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Amortecimento - 9.7/109.7/10
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Responsividade - 9.8/109.8/10
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Estabilidade - 3/103/10
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Upper - ajuste e respirabilidade - 9.5/109.5/10
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Upper - durabilidade - 8.5/108.5/10
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Tração da sola - 9.4/109.4/10
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Durabilidade da sola - 9/109/10
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Preço/qualidade - 7/107/10
Rapidíssimas... mas demasiado elitistas
As HOKA Cielo X1 3.0 são, muito provavelmente, o modelo mais rápido que já testámos por aqui. Mas, infelizmente, são também dos modelos de performance mais instáveis que experimentamos. E é pena, porque a marca francesa colocou no mercado umas sapatilhas que têm tudo praticamente no ponto perfeito. O problema é mesmo o facto da falta de estabilidade as tornar muito complexas de utilizar. Pelo menos para quem corre a ritmos de ‘humano’.

