Regresso amargo de Isaac Nader à Dream Mile dos Bislett Games

Ajuda-nos a manter este projeto vivo e crescer ainda mais

De volta a um palco que lhe diz muito, por conta da vitória no ano passado, Isaac Nader acabou por ter um gosto amargo no final da Dream Mile dos Bislett Games. Esse foi, de resto, o sentimento geral de praticamente todos os portugueses que esta tarde competiram no Bislett Stadion, em Oslo.

Na histórica prova da milha, Isaac Nader defendia o triunfo do ano passado e parecia até bem encaminhado para consegui-lo à entrada da reta final. Contudo, naquele momento da verdade, as pernas do campeão mundial dos 1.500 metros do ano passado ‘falharam’ e os últimos 20/30 metros foram penosos, sempre a andar para trás no grupo.

Acabaria por ser 12.º, com 3:50.71 minutos, bem longe dos homens da frente. Aí o queniano Timothy Cheruiyot foi o mais forte no sprint final, ao ganhar no photo finish, com o mesmo tempo (3:48.21) a Yared Nuguse. O registo, curiosamente, foi bem similar ao do ano passado de Nader – 3:48.25).

Antes, nos 3.000 metros, Salomé Afonso esteve discreta na posição da tabela (15.ª), mas ficou bastante perto do recorde pessoal, ao terminar em 8:39.85 minutos – o seu máximo de carreira é 8:39.25. Lá na frente, venceu a etíope Freweyni Hailu, em 8:24.22, uma nova melhor marca mundial do ano, à frente de Likina Amebaw (8:25.15) e Senayet Getachew (8:25.85). A holandesa Maureen Koster, em 5.º, foi a melhor europeia, com 8:27.67.

Salomé Afonso em Oslo (foto: Pics by Joe / VO2 Máximo)

No fecho do programa dos portugueses, vinda de um recorde nacional há poucos dias (54.31), Fatoumata Diallo foi 6.ª nos 400 metros barreiras, com 55.13 segundos. Venceu a intratável eslovaca Emma Zapletalová, com 53.13, um registo ainda assim longe dos 52.58 que fez em Roma há poucos dias. Esta foi a terceira vitória em outras tantas provas da eslovaca, que ameaça assumir o trono de Femke Bol com o mesmo tratamento: sempre a ganhar.

Fatoumata Diallo em Oslo (foto: Pics by Joe / VO2 Máximo)

Antes do trio do programa principal, houve ainda dois portugueses a correr nas provas preliminares dos 1.500 metros. E ambos a ganhar.

Na masculina, José Carlos Pinto fez a sua terceira prova da temporada nos 3:33, agora ao triunfar à frente do olímpico espanhol Adrián Ben em 3:33.80. Antes tinha ganho em Savona em 3:33.36 e terminado no fundo da tabela em Rabat com 3:33.94).

Patrícia Silva viveu uma situação algo distinta, já que passou os 1.500 metros na totalidade… a puxar. Daí o tempo algo modesto que lhe valeu a vitória (4:08.52 minutos), numa prova que mais terá sido um treino a puxar em ritmo forte.

Lutkenhaus é mais do que uma promessa

Para lá dos portugueses, ficam outros destaques de Oslo e é impossível não começar por Cooper Lutkenhaus. O teenager, de apenas 18 anos, voltou a ganhar na Diamond League, agora ao bater o rei dos 800 metros nos tempos recentes, o queniano Emmanuel Wanyonyi, numa incrível luta até ao último centímetro. O norte-americano venceria em 1:42.08, um novo recorde mundial Sub-18 que o coloca como o 14.º melhor de sempre em absoluto, com o queniano a ficar logo atrás (1:42.09).

Ainda no meio fundo, nos 5.000 metros falou-se em ataque ao recorde mundial e europeu, mas no final a vitória do etíope Addisu Yihune deu apenas para o melhor registo do ano (12:47.62). O bahrani Birhanu Balew foi 2.º (12:47.73), com Andreas Almgren a fechar em 3.º (12:48.61), aquém do seu recorde europeu (12:44.27). Onze corredores baixaram dos 13 minutos, incluindo o australiano Ky Robinson, que com 12:50.82 quebrou o recorde da Oceânia.

Na velocidade, nos 200 metros, a muito esperada estreia de Gout Gout nestas andanças acabou em fiasco, com o jovem australiano a ser apenas 6.º, com 20.60, bem longe do máximo mundial Sub-20 que correu em abril, os 19.67. Venceu o campeão olímpico Letsile Tebogo, em 19.84 segundos.

Nas senhoras, mas nos 100 metros, a campeã olímpica Julien Alfred não deu chances à concorrência, para vencer em 10.76 segundos, mas com vento favorável de 3.2m/s. Amy Hunt foi segunda (10.99) e Zoe Hobbs terceira (11.03).

No fecho do programa, Alison dos Santos estragou a festa da casa, ao vencer os 400 metros barreiras em 46.89 à frente de Karsten Warholm (47.40). Foi o quarto triunfo em outras tantas provas em 2026 para o brasileiro nas barreiras, que bateu Warholm pela terceira vez este ano.

No peso, Chase Jackson travou a fase ganhadora de Jessica Schilder, ao ganhar com um melhor lançamento a 20.74 metros, contra os 20.11 da holandesa.

A jogar em casa, Henriette Jæger deu uma alegria aos noruegueses ao ganhar os 400 metros em 49.52, bem perto do recorde pessoal, à frente da checa Lurdes Gloria Manuel (50.13) e Natalia Bukowiecka (50.34).

Na vara, na ausência de Mondo Duplantis – ausente por motivos de… casamento – venceu o australiano Kurtis Marschall (5.82); no triplo salto, sem Pichardo, que foi ausência de última hora, ganhou o jamaicano Jordan Scott (17.66), à frente de Andy Díaz e Yasser Triki.

De Oslo a Diamond League segue na próxima semana para Doha, para um meeting qatari marcado para sexta-feira, ainda sem lista de inscritos divulgada.

Leave a Reply