Não tivemos a chance de testar as ASICS Sonicblast originais e, ao que parece… ainda bem. Porque, pelo que lemos, essa primeira versão foi um pouco um tiro ao lado. Ora, as Sonicblast 2 parecem ter resolvido todos os problemas e limitações, podendo surgir com uma boa opção para quem quer ter um modelo exclusivamente voltado para treinos de velocidade.
Apresentando-as de forma clara: não são um modelo para levar a rodar num dia de treino fácil. Quer dizer, podem levá-las e não ficarão necessariamente mal servidos. Mas é na velocidade, nos treinos mais longos a ritmos animados, que se sentem no seu elemento. O facto de serem um pouco mais leves (241 gramas) e terem uma placa em PEBAX ajuda a que a corrida seja bastante natural, sem aquele feeling de que há um elemento estranho a mudar-nos a corrida.
Especificações técnicas
| Peso | 241 gramas (42 EU) |
| Drop | 8 mm (46 mm – 38 mm) |
| Uso recomendado | Super trainer com placa |
| Preço | 190 € |
| Disponibilidade | já disponíveis |
Asics Sonicblast 2
Sensação de corrida
Há algo que se nota de forma evidente quando começamos a correr com as Sonicblast 2: quanto mais rápidos formos, mais vamos desfrutar e sentir verdadeiramente o poderio deste novo modelo da ASICS. Quase como se a meia-sola apenas acordasse nesse momento. O segredo de toda essa sensação está na combinação usada: em cima, a FF Turbo² e, por baixo, a FF BLAST MAX. Pelo meio uma placa bifurcada em PEBAX.
Ao não ser uma placa a todo o comprimento, nem de fibra de carbono, a sensação é de uma rigidez inferior e, por consequência, uma corrida bem mais natural e fluída. Para isso também ajuda o facto da espuma não se notar muito ‘esponjosa’ e a sensação de corrida ser um pouco mais firme. Isso pode agradar a alguns e desagradar a outros, mas no nosso caso gostamos desta sensação porque, como dissemos, no aproxima bem mais de algo natural.
Tudo isto num modelo relativamente alto, com 46mm de altura máxima, mas que mesmo assim raramente se sente instável. Aí entra em jogo a tal pequena placa de PEBAX, que funciona essencialmente para providenciar a estabilidade necessária para equilibrar uma quantidade de espuma que, sem ela, poderia ser indomável. A isso ajuda também a largura de toda a plataforma, que faz com que as sapatilhas raramente se ‘percam’ em viragens mais apertadas.
Ainda assim, temos também de dizer que aquela sensação de resposta à velocidade encontra ali um limite. Quando as puxámos a ritmos de 5 quilómetros sentimos que já éramos obrigados a trabalhar mais do que era suposto. No fundo, sentimos que as Sonicblast 2 funcionam bem melhor em trabalhos de limiar e séries um pouco mais longas.



O upper
Globalmente falando, é difícil falar de forma negativa do upper. Porque está lá tudo lá. Não é brilhante, mas não compromete de modo algum na sua principal tarefa: que é não atrapalhar o importante – correr de forma confortável ou, pelo menos, de uma forma que não seja desconfortável.
O pé encaixa na perfeição praticamente desde o primeiro momento e, ao correr, essa sensação fica sempre presente. Na corrida notámos também o quão ventilado é este engineered mesh, bastante fino – para poupar no peso -, mas aparentemente bem resistente.
O calcanhar tem uma configuração diferente à da primeira versão, com um design que faz lembrar um pouco aquilo que vamos vendo em alguns modelos da HOKA – nas Clifton 11, por exemplo. Apesar disso, nunca sentimos que o calcanhar estivesse algo solto por conta desta mudança.
De resto, visualmente este modelo parece-nos um total acerto, especialmente no esquema de cores ‘White/Stadium Orange’. Ao contrário da primeira versão, que dificilmente passaria bem para um uso em ambiente lifestyle, esta segunda está claramente mais sóbria nesse particular.



O composto de sola
Tal como no caso do upper, nada de mau a apontar quanto há sola. Aqui há dois pontos de avaliação claros: tração e durabilidade. A tração, em piso de asfalto, terra batida e algo molhado, revelou-se sempre no ponto certo, muito graças ao composto ASICSGRIP. Pode parecer um detalhe, mas num modelo maximalista como este ter uma boa sola para agarrar o asfalto é algo fundamental e este modelo cumpre esse ponto com nota bem elevada.
Já a durabilidade, a julgar pelos 100 quilómetros que já fizemos, parece também não comprometer minimamente. Mas apenas o tempo dirá se será esse o caso…

Veredito
Aqui é o ponto em que vamos olhar ao preço. 190 euros por um super trainer que funciona essencialmente apenas para trabalho de velocidade? Se olharmos puramente a este modelo, diríamos que valeria a pena o investimento. Mas se quisermos olhar para o mercado em geral, talvez o preço seja algo esticado em comparação com aquilo que podemos encontrar noutras marcas e, também, pela aparente falta de versatilidade.
As New Balance SC Rebel v1 (que não testámos…) são comummente apontadas como rivais – mesmo não tendo placa -, mas no nosso caso podemos apontar as Adidas Evo SL (sem placa) ou até mesmo as Puma Deviate Nitro 4 (com placa) como melhores alternativas. E, comparando com essas, diríamos que ambas as alemãs são idênticas para este propósito e melhores na versatilidade…

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Amortecimento - 8/108/10
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Conforto - 8.5/108.5/10
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Responsividade - 8.5/108.5/10
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Durabilidade - 8.5/108.5/10
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Tração da sola - 8.9/108.9/10
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Durabilidade da sola - 8.8/108.8/10
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Preço/qualidade - 7.4/107.4/10

