No mundo da corrida, Boston é uma espécie de Meca. Especialmente no que à longa distância diz respeito. É lá que se disputa a maratona mais antiga do planeta, a mais exclusiva e aquela em que, tirando pontuais exceções, apenas entra quem trabalhou e conseguiu um tempo bem exigente para lá estar. Boston é um lugar lendário. Um lugar sagrado no mundo do atletismo. Mas também dá nome a um dos modelos também já lendários da adidas, a marca que há larguíssimos anos apoia a prova norte-americana.
A história do modelo vai de mão dada com o legado da prova. Inicialmente foram lançadas para ser a arma para o dia da verdade, mas a evolução natural da corrida e do mercado do calçado fê-las também moldar-se. Passaram por uma fase em que eram uma aposta de perfil baixo para treinos rápidos – à imagem das preferências de então – e agora chega à versão 13 mais como um ‘super shoe’ do que propriamente uma arma de prova.
Aposta mais no maximalismo, contando com uma espuma de topo (a Lightstrike Pro) e ainda os EnergyRods. Mas continuam fieis ao nome. Tanto ao próprio legado mas àquilo que Boston pede: são umas sapatilhas que “exigem” que corras depressa. É aí que melhor respondem.
Especificações técnicas
| Peso | 260 gramas (42 EU) |
| Drop | 6mm (36mm – 30mm) |
| Uso recomendado | Treinos rápidos e longos; provas |
| Preço | 160€ |
| Disponibilidade | Em várias cores |
Sensação de corrida
A nossa experiência com as Boston começou apenas na versão 12, mas isso permite-nos pelo menos traçar uma comparação ao modelo anterior. As diferenças no visual são muito poucas, mas na sensação de corrida há coisas diferentes que melhoram bastante a avaliação global. Com maior percentagem de Lightstrike Pro na meia-sola (a espuma de topo da marca) combinada com a Lightstrike 2.0, estas Boston 13 sentem-se agora bem mais responsivas e ‘bouncy’ e cada vez mais idealizadas para esforços a bom ritmo e prolongados.
No nosso teste fizemos uso tanto em treinos com ritmos variados como intervalados e ainda uma easy run. Cumpriram na perfeição nos três momentos, mas diríamos que onde melhor renderam foi no tal treino de ritmo variado, uma espécie de fartlek. Isto porque esta combinação de espumas faz com que a resposta a um aumento de velocidade seja mais imediata, o que torna a corrida em algo bem mas divertido. São, ainda assim, algo mais firmes do que provavelmente alguns corredores desejarão de um modelo deste género.
Podem perguntar-nos: o que diferencia as Boston 13 das Evo SL? As sensações são similares, mas as Boston parecem algo mais idealizadas para aguentar treinos mais longos. São, no fundo, um cavalo de trabalho perfeito para atacar a preparação de uma maratona. Como Boston, por exemplo. Correr a prova com elas já é outra coisa, mas podem claramente responder afirmativamente ao desafio.
Nota para o facto destas Boston 13 não terem uma placa de fibra de carbono, mas antes os Energy Rods 2.0, já vistos noutros modelos da adidas. Funciona um pouco como uma placa, mas dará a tal maior rigidez na corrida do que com uma placa. Ao que tudo indica, olhando para os rumores, é bem provável que seja dos últimos modelos a tê-los…



O upper
As Boston 13 continuam a ter alguns problemas das 12 e outros que parecem andar de braço dado com a adidas. Mas também resolvem outros tantos.
Tal como nas anteriores, a forma está algo estreita e poderá causar problemas a quem tem os pés algo mais largos e os cordões também continuam a não ser os melhores, tanto na sua qualidade como também no comprimento. Depois há um outro problema que as 13 resolvem.
A língua está fina como na versão anterior, mas a capacidade material almofadado consegue (agora sim!) proteger bastante bem o pé da pressão que possa ser aplicada. A adidas decidiu também mudar por completo o contorno do tornozelo, abandonando uma construção mais minimalista para reforçar esta área com uma almofada que faz o contorno da zona do Aquiles.
O upper, por outro lado, está algo mais respirável e aparenta ter uma estrutura algo mais forte para suportar o passar do tempo e do uso prolongado.



O composto de sola
Um dos maiores responsáveis pelo corte de peso das 12 para as 13 mora na sola da nova versão. A adidas decidiu fazer um pequeno corte na zona interior, baixando o número na balança sem que isso comprometa a tração global. Que continua a estar lá na excelência daquilo que a adidas (quase) sempre entrega.
A versão 13 tem agora menos camada de Continental (na zona frontal) e integra o composto LIGHTTRAXXION, que se estreou nas Adios Pro 4, mas isso pouco ou nada muda também em termos de durabilidade. No fundo, para descansar os fãs mais fieis da saga, as Boston 13 continuam a ser incríveis neste particular.

Valem a pena?
As Boston 13 são um modelo que não falha. Por 160 euros – e agora com descontos… -, são provavelmente o ‘super shoe’ com melhor relação preço/qualidade do mercado a par das Deviate NITRO. São um daqueles modelos que, por altura de umas férias mais prolongadas, podemos colocar na mala e olhar para ele como a opção perfeita para levar apenas um par de sapatilhas connosco. É nos treinos com alguma velocidade que brilham, mas nos esforços longos e prolongados cumprem de forma seguríssima. Nas easy runs não são a melhor opção, mas quem os usar aí não ficará totalmente mal servido.

