Kiprun Kipride MAX: equilíbrio perfeito entre amortecimento e diversão

Quando no início do ano passado garantiu a contratação de Jimmy Gressier como principal estrela da marca, a Decathlon e a Kiprun deixaram bem claras as suas intenções de tomar de assalto um mercado do running cada vez mais competitivo.

O primeiro ano dessa ligação foi pautado por dúvidas e alguns acertos. As principais dúvidas residiram precisamente no craque francês, especialmente pelo facto de, apesar de estar ligado à Kiprun, ter ido aos Mundiais competir com umas adidas nos pés. E, pior de tudo, ter ganho a medalha de ouro nos 10.000 metros com elas. Era, no fundo, uma espécie de reconhecimento de que a marca gaulesa ainda não estava no ponto para se bater com as demais. Pelo menos na pista.

Porque na estrada os sinais já vinham sendo positivos. As Kiprun KD900X LD+ foram o primeiro grande acerto e tiveram o seguimento, aqui num âmbito mais elite, nas Kiprun Kipstorm LAB. 2026 chegou e com ele vieram as primeiras confirmações. Uma nova linha de calçado de corrida, a Kipride, com modelos pensados para todos os tipos de uso. Uma total transformação na nossa ótica.

O primeiro modelo desta nova era que nos chegou foi precisamente este Kipride MAX. E a primeira grande confirmação de que, sim, a Kiprun está mesmo apostada em abanar com todos os alicerces do mundo da corrida. Não será fácil, porque o mercado ainda a olha como uma espécie de ‘marca branca’, mas assim que as calçarem provavelmente mudarão de opinião. É que já não se trata apenas de comprar mais barato. Trata-se de comprar mais barato e, neste caso, melhor do que praticamente toda a concorrência. E isso, num mercado tão competitivo, é um trunfo de luxo.

Especificações técnicas

Peso280 gramas (42 EU)
Drop6mm (42mm – 36mm)
Uso recomendadoTreinos diários
Preço150€
Disponibilidadejá à venda

Sensação de corrida

Quando calçámos pela primeira vez as Kipride MAX tivemos uma espécie de déjà vu daquilo que tínhamos sentido com as Puma MagMax 2, o modelo que até agora era o nosso preferido neste segmento de máximo amortecimento. Um conforto elevadíssimo, mas carregado com uma dose bem generosa de retorno, capaz de nos fazer correr mais rápido mas mantendo um excelente nível de proteção. Claro que não são as mais rápidas do mercado, nem tencionam sê-lo, mas neste segmento poucos modelos que testámos foram capazes de nos dar uma corrida tão divertida.

Uma sensação que nos é dada pela espuma SOFTECH+, o novo composto da marca, que aqui está presente com 42mm de espessura. Um dado que poderia representar uma corrida instável, mas a sensação que temos é totalmente inversa. Nunca, em momento algum, tivemos essa sensação de perda de controlo. Com viragens, com piso molhado, com acelerações e travagens, as Kipride Max ficam sempre onde devem estar. Isto mantendo a generosa e bem agradável sensação de amortecimento.

Neste particular, temos também de voltar à questão da resposta da meia-sola. Algo que sentimos logo no primeiro treino. Assim que as colocámos na estrada, foi automaticamente percetível a forma como a espuma nos devolve a energia a cada passada. Claro, repetimos, sem serem as mais rápidas do mercado, mas com uma resposta bem interessante para o seu segmento.

E depois, claro, aquilo que dissemos acima: por um preço bem mais barato. Enquanto a concorrência entrega sensações de corrida similares ou piores por preços entre os 190€ e os 200€, a Kiprun ‘invade’ o mercado com uma opção muitíssimo fiável por 150€. E, garanto-vos, não há aqui nada a menos do que numas GEL-Nimbus 28. Antes pelo contrário.

O upper

O composto da meia-sola leva os louros pela sensação que nos dá em corrida, mas o upper também merece levar bastante elogios. A Kiprun conseguiu algo praticamente perfeito. A malha abraça o pé de forma suave praticamente no imediato, sem necessidade de períodos de adaptação, e toda a sensação de corrida respira conforto. E por falar em respirar, o upper parece ser muito bem ventilado, o que se agradecerá quando os meses mais quentes chegarem.

O contorno do calcanhar está reforçado com material acolchoado no ponto certo, dando-nos suporte sem exageros e também ajudando a manter as sapatilhas sempre estáveis em cada momento. Neste ponto é preciso dizer que toda a estabilidade vem de algo que visualmente não é tão agradável. As Kipride Max têm um aspeto de ‘calçado ortopédico’. São algo volumosas, com uma plataforma bastante larga e até nos levam a temer que sejam pesadas. Não são leves, claro, mas os seus 285 gramas meio que se dissipam ao longo da corrida, muito por conta da sensação saltitante que nos dá.

O composto de sola

A meia-sola é um luxo. O upper leva uma nota elevada. E a sola? Nada temam. Porque aqui a Kiprun voltou a destacar-se. E não podíamos ter feito este teste de uma forma mais agressiva, já que praticamente todos os quilómetros que lhes colocámos foram feitos em piso molhado, no meio do dilúvio que se abateu em Portugal. E com alguns troços da temível calçada portuguesa. Em todos os cenários, o composto de sola responde de forma praticamente perfeita.

E quanto a durabilidade, com quase 100 quilómetros, os sinais de desgaste são praticamente nulos. Neste aspeto, a Kiprun parece ter acertado na mouche quanto à forma como colocou estrategicamente pontos de reforço com borracha injetada. Apostou nas zonas de habitual maior desgaste, deixando pelo meio alguns pontos descobertos, para dar uma maior flexão e, também, reduzir o peso global. Se calhar até podiam ter poupado um pouco mais na espessura da borracha para cortar mais no peso, mas a aposta é clara em dar uma boa durabilidade. Mesmo que isso signifique um peso um pouco superior.

Composto de sola impressiona pela tração e durabilidade (aparente)

Valem a pena?

Pelo preço, por aquilo que entregam na sensação de corrida e até na durabilidade que prometem, as Kipride MAX serão o modelo com melhor relação preço/qualidade do mercado. Enquanto as Vomero Plus da Nike estão a 170€, as Puma MagMax 2 a 190€, as Nimbus 28 da ASICS e as 1080 v15 da New Balance a 200€, as Kipride MAX aterram no mercado com um agressivo preço de 150 euros. Isto oferecendo sensações que, no nosso entender, são até melhores – pelo menos em comparação com as Nimbus 28, um modelo que testámos recentemente.

Com tão boa impressão que nos deixou com este modelo, mal podemos esperar para continuar a colocar-lhes quilómetros nos próximos meses e, se possível, colocar à prova as Tempo. Se a qualidade for a mesma nesse competitivo segmento… então a Kiprun vai mesmo ser a marca do ano. Cá estaremos para ver!

Kiprun Kipride MAX - ponto a ponto
  • 9.4/10
    Amortecimento - 9.4/10
  • 9/10
    Conforto - 9/10
  • 7.2/10
    Responsividade - 7.2/10
  • 8.3/10
    Durabilidade - 8.3/10
  • 8.7/10
    Tração da sola - 8.7/10
  • 9/10
    Durabilidade da sola - 9/10
  • 9.5/10
    Preço/qualidade - 9.5/10
8.7/10

Relação preço/qualidade de luxo

2026 começa com uma novidade da Kiprun que promete (ou pelo menos devia) dar que falar. Mesmo que ainda na sombra do apelido de “marca da Decathlon”, a Kiprun continua a melhorar e este modelo mostra que estão no caminho certo. Um modelo maximalista, pensado para treinos diários, que entrega o conforto dos principais concorrentes do segmento, mas mais retorno de energia e… a um preço bem mais competitivo. Isto num conjunto que promete muita durabilidade, tanto no upper como na sola. Provavelmente o modelo com melhor preço/qualidade do segmento na atualidade!

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