World Athletics recusa 11 pedidos de naturalização feitos pela Turquia

Not so easy! A World Athletics anunciou esta quinta-feira ter recusado 11 pedidos de atletas que tencionavam naturalizar-se turcos, por considerar que aceitar estes pedidos “iria colidir com e comprometer os imperativos subjacentes às regras de elegibilidade da World Athletics e aos regulamentos de transferência de nacionalidade desportiva.”

Deste lote de atletas fazem parte vários nomes de topo mundial, seis deles quenianos, com Brigid Kosgei a ser, à cabeça, a mais sonante. Havia ainda outros grandes nomes entre os atletas que tencionavam mudar de nacionalidade, como os jamaicanos Rojé Stona, campeão olímpico do disco, ou Jaydon Hibbert, medalha de bronze olímpico de Paris no peso.

“O painel considerou que os pedidos faziam parte de uma estratégia de recrutamento coordenada, liderada pelo governo da Turquia através de um clube estatal, detido e financiado na totalidade pelo governo, para atrair atletas estrangeiros através de contratos lucrativos, com o objetivo de facilitar as transferências de nacionalidade desportiva e permitir que esses atletas representassem a Turquia em futuras competições internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028”, pode ler-se na justificação apresentada.

“Dadas as características comuns entre os pedidos, o painel avaliou-os em conjunto e determinou que tal abordagem é inconsistente com os princípios fundamentais dos regulamentos. Estes princípios foram concebidos para salvaguardar a credibilidade das competições internacionais, incentivar as Federações Membro a investir no desenvolvimento do talento interno e manter a confiança entre os atletas de que as seleções nacionais não são montadas primariamente através de recrutamento externo”, acrescenta a mesma nota.

“Os regulamentos de transferência de nacionalidade desportiva da World Athletics regem as condições sob as quais um atleta pode representar uma Federação Membro em competições internacionais. Embora a cidadania seja o ponto de partida, são aplicados critérios adicionais para garantir uma ligação genuína entre o atleta e o país que representa e para proteger a integridade, a credibilidade e o desenvolvimento do desporto a nível global.”

Eis a lista completa dos atletas:
Catherine Relin Amanang’ole (KEN)
Rajindra Campbell (JAM)
Jaydon Hibbert (JAM)
Brian Kibor (KEN)
Brigid Kosgei (KEN)
Ronald Kwemoi (KEN)
Nelvin Jepkemboi (KEN)
Favour Ofili (NGR)
Wayne Pinnock (JAM)
Rojé Stona (JAM)
Sophia Yakushina (RUS)

Havia muito dinheiro em jogo

Não se sabe grandes pormenores sobre as contrapartidas oferecidas aos atletas para este passo, mas a imprensa internacional adiantou em junho do ano passado, aquando da notícia sobre a mudança dos jamaicanos Stona, Campbell, Hibbert e Pinnock, que em cima da mesa estaria um pagamento de 500 mil dólares (433 mil euros) a cada um como prémio de assinatura, valor ao qual se acrescentará ainda um pagamento de um salário mensal. E haveria, claro, uma alta compensação para o caso de medalhas internacionais, que na Turquia rendem dos prémios monetários mais altos do mundo em termos de medalhas olímpicas: 460 mil euros pelo ouro, 271m€ pela prata e 136m€ pelo bronze.

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