Dizermos que uma prova é “modesta” nem sempre é algo mau ou menos bom. No fundo, é dizer que está a fazer aquilo que tem à sua disposição, um pouco à imagem do nosso ditado “quem dá o que tem, a mais não é obrigado“. A Maratona de Cluj-Napoca é um pouco isso.
Não é nada do outro mundo. Nem tão-pouco está num nível intermédio, mas tem o que necessário para uma boa experiência, mesmo sendo numa cidade algo pequena. E acreditem que já tivemos experiências bem piores, bem menos agradáveis, bem mais amadoras, em cidades grandes (como Lyon, por exemplo).
| Percurso | Rápido |
| Logística | 8/10 |
| Ambiente | 3/10 |
| Como entrar | Inscrição normal |
| Preços | a definir |
| Data em 2027 | a definir |
| Bengaleiro | Sim |
| Blocos de partida | Não |
| T-shirt gratuita | Sim |
| Balneários | Não |
| Potencial para recorde pessoal | Sim |
| Distâncias adicionais | 21k, 10k, maratona por estafetas e corrida para crianças |
O primeiro ponto a ser destacado da prova, que faz logo valer uma nota elevada na logística, é o facto de todo o centro da maratona (e provas adjacentes) estar concentrado na Cluj Arena, um estádio inaugurado em 2011 que está em belíssimas condições. É a casa de vários clubes de futebol da cidade, mas também vem sendo palco de concertos e, também, serve de ponto de partida e de meta desta maratona. É, diríamos, um dos aspetos diferenciadores da prova.
Além de ser início e fim da prova – e também ponto intermédio da maratona, pois damos uma volta à pista pelos 21k -, a área da Cluj Arena é também o local da expo do evento, num espaço adjacente ao estádio principal. É lá que recolhemos o nosso dorsal e podemos dar uma bem curta volta pelos expositores presentes.




Quanto ao percurso, é rápido, mas sendo duas voltas é um pouco chato. Não só pelo facto de passarmos duas vezes pelo mesmo sítio, mas também é feito com muitas curvas e contra-curvas, voltas e voltinhas. O piso é quase sempre em alcatrão, havendo apenas uma curtíssima passagem por uma zona de terra batida mais para o centro da cidade. E, depois, o ambiente não é propriamente o mais apelativo. Ainda assim, como dissemos acima, do que podem ter, do que podem dar, os organizadores desta maratona romena não merecem qualquer reparo.
Isso também se aplica, por exemplo, a todo o tipo de comodidades habituais neste tipo de provas: bengaleiro, abastecimentos ou casas de banho. Tudo em quantidade mais do que suficiente para permitir uma experiência sem qualquer percalço.
Recomendamos?
Sim. Mas sem fazer desta viagem um objetivo de vida. É uma maratona curiosa, honesta e humilde, numa cidade e região bem interessantes.
Dicas finais
Como chegar
Felizmente temos voos diretos a partir de Lisboa atrás da Wizz Air e isso facilita bastante toda a logística. Sob pena de haver alterações para o próximo ano, o plano de voos da companhia maltesa até encaixa na perfeição numa escapada rápida à cidade romena: o voo de ida chega à 23:30 de sexta-feira e é possível apanhar o de regresso pelas 15 horas de domingo. É apertado, mas quem fizer a maratona até pelas 3:30 deve conseguir safar-se bem, até porque o aeroporto é a uns 20 minutos de Uber/táxi do centro (pagam cerca de 7 euros por cada viagem).
Onde ficar
Club é uma cidade pequena e, mesmo ficando no lado oposto à Cluj Arena, onde arranca a prova, num instante estarão no centro nevrálgico da prova. No nosso caso, ficamos alojados no Hotel Beyfin, mesmo no centro da cidade, junto da Catedral e dos principais pontos turísticos, nomeadamente a praça mais central, a Piaţa Unirii, onde se localiza a Igreja de São Miguel. Estávamos a 2 quilómetros do estádio, o que nos deu uns 10 minutinhos num trote de aquecimento e, depois, de recuperação pós-prova. Olhando para trás, foi uma opção perfeita!
O que comer e onde
Passámos dois dias e meio em Cluj e, infelizmente, não conseguimos explorar a fundo da gastronomia local, mas temos uma recomendação que vale muito a pena. Mesmo ao lado do hotel que recomendámos acima está o Vărzărie, um restaurante local, muito humilde, com comida caseira, que merece MUITO a visita. No nosso caso, fomos para o prato estrela da casa (e da cidade), o Varză a la Cluj. Muito resumidamente, é a versão romena da lasanha ou do empadão, mas feita com couve e carne. Muito, muito bom!
Para acompanhar, fomos a um Papanași, uns donuts tipicamente romenos, feitos com queijo de vaca fresco (semelhante ao queijo cottage ou ricota), farinha, ovos e um toque de limão ou baunilha. A esta mistura incrivelmente boa é ainda acrescentada um compota de frutos vermelhos. O recovery perfeito!
No pré-prova recomendamos dois restaurantes: o Pasta Nostra, um restaurante humilde de massa fresca, e a pizzaria Napoli Centrale.

