Pode uma lesão ser o ponto de viragem de uma vida, para levá-la a um rumo de sucesso? São raros os casos, mas eles ainda acontecem. O mais recente exemplo disso é a espanhola Paula Blasi, recente vencedora da Vuelta feminina. Sim, estamos a falar de ciclismo numa página de atletismo… e já vão perceber porquê.
É que, ainda antes de se começar a mostrar no triatlo e depois no ciclismo, Blasi deu os primeiros passos no desporto de alta competição no atletismo. Não foi propriamente uma atleta de grande sucesso, mas ainda conseguiu um título nacional de Sub-18 em 2020.
Olhando à sua página na World Athletics, os primeiros registos remontam a 2019, quando tinha 16 anos. Quatro provas de 400 metros (a melhor em 59.01 segundos) e uma de 800 metros em pista coberta (2:18.74) marcaram esse primeiro ano.
Em 2020, num ano atormentado pela COVID-19, competiu mais do que nunca, mas claramente sem saber bem onde se especializar. Ao todo, correu em 4 distâncias distintas, dos 400m aos 3.000m: na pista coberta, 4:50.38 nos 1.500m; 2:13.15 nos 800m; 59.75 nos 400m. Ao ar livre: 10:22.30 nos 3.000m; 4:37.86 nos 1.500m; 2:11.53 nos 800m (foi campeã nacional U18).
No ano seguinte, andou dos 800 aos 1.500m e, em 2022, saltou para a estrada, com 17:29 nos 5 quilómetros e 37:50 nos 10. No seguinte apenas competiu nos 5 quilómetros e uma só vez: 17:09.
𝐓𝐞𝐦𝐩𝐨𝐬 𝐧𝐨 𝐚𝐭𝐥𝐞𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨:
400m: 59.01
400m (i): 59.75
800m: 2:11.53
800m (i): 2:13.15
1.500m: 4:37.78
1.500m (i): 4:46.94
3.000m: 10:22.30
5k: 17:09
10k: 34:59
A lesão que mudou tudo
Pelo meio, o triatlo e o duatlo foram também sendo prática comum, até que, em 2024, uma lesão no Campeonato Nacional de duatlo a fez obrigar a parar. O atletismo, pelo impacto associado, ficou de lado e, sem mais nada para se ocupar, o ciclismo passou a ser a “única opção de treino”.
Uma única opção que rapidamente se tornou a mais certeira. Entrou numa equipa local, a Massi-Baix Ter, e rapidamente o seu ‘motor’ a levou a destacar-se, a ponto de sagrar-se campeã catalã de fundo e contra-relógio logo no seu primeiro ano de prática. Na segunda metade da época voltou a evidenciar-se: venceu a Volta Ciclista a Osona, foi 4.ª no Tour de l’Avenir Femmes (a Volta a França do futuro feminina).
O ano seguinte foi de afirmação total, a começar pelo salto para a UAE, primeiro para a Development Team e, depois, para a formação principal. Sagrou-se campeã europeia de fundo em Sub-23 e 3.ª nos Mundiais da mesma categoria; acabou a Volta à Romandia em 4.º e foi ainda 6.ª no Tour de l’Avenir. Pelo meio venceu outras provas mais pequenas.
E chegou então 2026. Foi 3.ª no Tour Down Under, venceu a Amstel Gold Race, foi 3.ª na La Flèche Wallonne e 5.ª na Liège–Bastogne–Liège, antes do maior feito da carreira. A vitória na Vuelta feminina.

