A World Athletics confirmou esta terça-feira as sedes dos Campeonatos do Mundo de Atletismo para 2029 e 2031. A decisão, tomada durante a 242.ª reunião do Conselho da entidade em Budapeste, marca um momento histórico para a modalidade: Nairobi acolhe a edição de 2029, levando a principal competição do atletismo mundial a solo africano pela primeira vez, enquanto Munique recebe o evento em 2031, marcando o regresso da prova à Alemanha duas décadas após Berlim 2009.
Sebastian Coe, presidente da World Athletics, destacou a competitividade do processo de candidatura, que contou com quatro fortes concorrentes, sublinhando que as escolhas asseguram a rotação global do evento — passando por Ásia (Pequim 2027), África (Nairobi 2029) e Europa (Munique 2031).
Ambas as edições vão disputar-se no mês de setembro, mantendo a aposta da federação internacional em colocar os grandes campeonatos como ponto culminante do calendário de pista ao ar livre.
Um marco histórico no coração do atletismo africano
A vitória de Nairobi para 2029 surge após uma candidatura falhada para a edição de 2025 (atribuída a Tóquio). A capital queniana reforçou o seu dossiê com garantias financeiras e com a experiência recente na organização de eventos de grande porte, como o Mundial de Sub-18 (2017), o Mundial de Sub-20 (2021) e o Kip Keino Classic, etapa integrante do Continental Tour Gold.
A competição terá como palco o Estádio Kasarani, atualmente em processo de remodelação profunda com vista à Taça das Nações Africanas (CAN) de 2027. Além do peso competitivo do país – segundo classificado histórico no medalheiro dos Campeonatos do Mundo -, dados da World Athletics apontam o Quénia como o mercado global com maior índice de interesse pela modalidade (68% dos inquiridos, contra a média mundial de 39%).
Será ainda a primeira vez na história que um Mundial será disputado acima dos 1.000 metros de altitude – e já para lá da barreira da altitude moderada, pois Nairobi está a 1.600 metros. Este aspeto favorecerá os sprints e saltos devido à menor resistência aerodinâmica, mas penalizará os tempos nas provas de meio-fundo e fundo.
Até agora o máximo de altitude tinha sido em Edmonton 2001, com um campeonato disputado a cerca de 700 metros.
O regresso à solidez e tradição do Olímpico de Munique
Dois anos depois de Nairobi, o Mundial regressa à Alemanha. A última passagem pelo país tinha sido em Berlim 2009 – marcada pelos recordes mundiais de Usain Bolt nos 100m e 200m -, cabendo agora a responsabilidade ao icónico Estádio Olímpico de Munique.
O recinto bávaro tem credenciais recentes de sucesso de bilheteira e ambiente, tendo acolhido o Campeonato da Europa multidesportos em 2022, onde o atletismo atraiu cerca de 267.000 espectadores ao longo da competição. Segundo a World Athletics, o projeto alemão destacou-se pela sustentabilidade ambiental no parque olímpico e pela capacidade logística comprovada em grandes eventos desportivos.

