Já com a temporada de pista fechada, Copenhaga recebe este fim de semana uma espécie de ronda de abertura da época de estrada, com a realização de uns Campeonatos Mundiais de estrada que contarão com a disputa de 3 distâncias (milha, 5 quilómetros e meia maratona).
Onde ver
Tal como no caso do Ultimate Championship, os Mundiais de estrada não terão transmissão televisiva no nosso país. Ainda assim, será possível seguir as provas online, tanto a partir do site da World Athletics como na plataforma Eurovision Sport.
- Eurovision Sport (milha) – ver aqui
- Eurovision Sport (5 quilómetros) – ver aqui
- Eurovision Sport (meia maratona) – ver aqui
Os portugueses
A contrário do que foi inicialmente anunciado – com uma equipa de 10 atletas -, Portugal apenas vai estar representado nos Mundiais de estrada este fim de semana por 5 atletas, todos na meia-maratona. Numa primeira fase, a lista de convocados da FPA tinha os nomes de Isaac Nader, José Carlos Pinto, Patrícia Silva e Salomé Afonso, entre milha e 5 quilómetros, mas não constam da lista final. Um outro nome viria a cair dessa segunda lista, com Miguel Borges a ficar de fora por “motivos médicos”.
Desta forma, sem os especialistas dos 1.500 metros, Portugal terá em Copenhaga, na Dinamarca, apenas uma comitiva de meia maratona, com Samuel Barata (Benfica) como maior figura. Recordista nacional da distância, o atleta encarnado repete a presença de 2023, quando em Riga foi 26.º, com 1:01:29, tendo a seu lado na prova masculina Rui Pinto (Sporting).
No lado feminino, estarão presentes Susana Godinho Santos (Beira-Mar), Mónica Lopes Silva (CA Macedo de Cavaleiros) e Salomé Rocha (individual).
| Atletas | Prova |
| Susana Santos | Meia maratona |
| Salomé Rocha | Meia maratona |
| Mónica Silva | Meia maratona |
| Samuel Barata | Meia maratona |
| Rui Pinto | Meia maratona |

Horários e antevisão
Dia 1 (19 de setembro)
| Hora local | Hora de Lisboa | Género | Prova |
| 10:10 | 09:10 | W | Milha |
| 10:30 | 09:30 | M | Milha |
| 14:10 | 13:10 | W | 5 quilómetros |
| 14:40 | 13:40 | M | 5 quilómetros |
A ação em Copenhaga começa logo no sábado, com a disputa das duas distâncias mais curtas. Pela manhã as provas da milha, com a promessa de lutas vertiginosas numa cidade que promete tempos rápidos em todas as corridas. Na da milha, com os 1.609 metros, há muita expectativa para ambos os géneros, com nomes de referência da pista a aventurarem-se na estrada.
Milha masculina

No masculino, com o recorde mundial de Elliot Giles (3:51.3, de Düsseldorf – 2024) em claro risco, os principais candidatos são os norte-americanos Yared Nuguse ou Vincent Ciattei, mas com os europeus Robert Farken (Alemanha), Jake Heyward (Grã-Bretanha) ou Andrew Coscoran (Irlanda) à espreita de fazer algo especial. Isaac Nader estava inscrito e até surge mencionado na antevisão dos campeonatos feita pela World Athletics, mas não estará presente.
Do pódio de Riga – com Hobbs Kessler como campeão -, há três anos, ninguém repete presença na milha.
Pódio de 2023 (milha masculina)
| # | Atleta | País | Marca | Obs. |
| 1 | Hobbs Kessler | USA | 3:56.13 | WR |
| 2 | Callum Elson | GBR | 3:56.41 | AR |
| 3 | Samuel Prakel | USA | 3:56.43 | PB |
Milha feminina

Quanto à milha feminina, a luta pela sucessora de Diribe Welteji promete ser intensa, no caso também para um eventual ataque ao recorde mundial que a etíope fixou em Riga (4:20.98). Mesmo sem a campeã, a Etiópia apresenta a ‘vice’ de há três anos – Freweyni Hailu -, que chega a este campeonato depois de ter sido campeã da Diamond League nos 5.000m e de ter sido 4.ª nos 1.500m e 5.000m do Ultimate.
Além da etíope, há outros nomes que prometem dar luta, como a norte-americana Addison Wiley, as australiana Sarah Billings e Linden Hal ou a francesa Agathe Guillemot. De África (continente que em 2023 ‘limpou’ o pódio feminino) estarão ainda presentes a queniana Mirriam Cherop e Naomi Korir, isto para lá da etíope Worknesh Mesele.
Pódio de 2023 (milha feminina)
| # | Atleta | País | Marca | Obs. |
| 1 | Diribe Welteji | ETH | 4:20.98 | WR |
| 2 | Freweyni Hailu | ETH | 4:23.06 | PB |
| 3 | Faith Kipyegon | KEN | 4:24.13 | PB |
5 quilómetros masculinos

Depois, já durante a tarde, será a vez das duas provas dos 5 quilómetros, outra distância que reunirá figuras de relevo no plano internacional.
A começar pelo duelo de titãs entre Jimmy Gressier e Jakob Ingebrigtsen, das pistas para as estradas de Copenhaga. O francês é o campeão mundial dos 10.000 metros em título e 3.º melhor de sempre (e recordista europeu) nos 5 quilómetros, com os 12:51 este ano em Lille; o norueguês é campeão olímpico dos 5.000m e na estrada o seu registo mais recente são as 1:03:13 horas na meia maratona em 2024, nesta mesma cidade dinamarquesa.
Além deste duo, nota ainda para os etíopes Addisu Yihune (2.º atrás de Gressier em Lille, com 12:54) e Mezgebu Sime, o sul-africano Maxime Chaumeton, o suíço Dominic Lokinyomo Lobalu, o australiano Ky Robinson ou o queniano Mathew Kipsang.
Do pódio de Riga, que tinha Yomif Kejelcha como medalha de prata, o mais recente recordista mundial da meia maratona, não há nenhum repetente. O título e o recorde dos campeonatos pertence a Hagos Gebrhiwet, com os 12:59 que estarão sob forte ameaça.
Pódio de 2023 (5 quilómetros masculinos)
| # | Atleta | País | Marca | Obs. |
| 1 | Hagos Gebrhiwet | ETH | 12:59 | CR |
| 2 | Yomif Kejelcha | ETH | 13:02 | — |
| 3 | Nicholas Kimeli | KEN | 13:16 | SB |
5 quilómetros femininos

Quanto aos 5 quilómetros femininos, também sem repetentes do pódio de Riga (a recordista mundial Beatrice Chebet foi a campeã), surgem com a etíope Likina Amebaw como grande candidata, tanto pela temporada que fez, mas também pelo triunfo categórico no Ultimate na semana passada.
Amebaw tem o favoritismo, mas não absoluto. Porque há outros nomes à espreita, como a compatriota etíope Aleshign Baweke. E ainda as quenianas Caroline Nyaga e Caroline Gitonga. A Europa também apresenta argumentos, mas provavelmente sem capacidade para ir ao pódio. Aí, as esperanças podem estar depositadas na holandesa Diane van Es (a recordista europeia – 14:33) ou a belga Jana Van Lent. E há ainda outros nomes, como a australiana Rose Davies ou a britânica Megan Keith.
Pódio de 2023 (5 quilómetros femininos)
| # | Atleta | País | Marca | Obs. |
| 1 | Beatrice Chebet | KEN | 14:35 | CR |
| 2 | Lilian Kasait Rengeruk | KEN | 14:39 | PB |
| 3 | Ejgayehu Taye | ETH | 14:40 | SB |
Dia 2 (20 de setembro)
O segundo e último dia de ação em Copenhaga será destinado em absoluto para a meia maratona, no caso integrada na própria Meia Maratona de Copenhaga, uma prova das Superhalfs que reunirá na capital dinamarquesa largos milhares de atletas.
| Hora local | Hora de Lisboa | Género | Prova |
| 09:10 | 08:10 | W | Meia maratona |
| 09:45 | 08:45 | M | Meia maratona |
Meia maratona feminina

A primeira prova de elite do programa no domingo será a meia feminina, com um elenco de luxo vindo de África, com três mulheres com recordes abaixo das 1:05 horas. Incluindo a queniana Agnes Ngetich, a segunda melhor da história (1:03:04), que procurará em Copenhaga alcançar um título que ainda não tem no seu já bem recheado currículo.
Além de Ngetich, o Quénia espera ainda uma boa performance de Lilian Kasait Rengeruk (1:03:32 de recorde pessoal), mas também de Daisilah Jerono (1:05:21) e Veronica Loleo (1:05:35).
A vizinha Etiópia também tem uma belíssima equipa, a começar desde logo por Tsigie Gebreselama, a bicampeã em título da EDP Meia Maratona de Lisboa. Quarta há três anos em Riga, é uma das grandes esperanças do seu país, que terá ainda Ftaw Zeray (1:05:12).
Fora de África há outros eventuais possíveis destaques, a começar pela norte-americana Weini Kelati Frezghi (recordista nacional com 1:06:04) ou a uruguaia Julia Paternain, a surpreendente medalha de bronze na maratona dos Mundiais. Da Europa a maior esperança será a eslovena Klara Lukan, com 1:06:43 de recorde pessoal, com a norueguesa Karoline Bjerkeli Grøvdal a ser uma das potenciais surpresas, sito numa prova que representa o regresso à competição após ter sido mãe.
Quanto às portuguesas, têm uma excelente oportunidade para atacar os respetivos recordes pessoais. Nesse âmbito, Susana Santos é a mais cotada, com as 1:10:47 de Valência (2024), uma marca que, a ser quebrada, lhe dará excelentes indicações para o eventual futuro ataque ao recorde nacional da maratona nos próximos meses. Já Salomé Rocha colocará à prova o seu bem interessante regresso à competição (com 1:13:56 na Meia Maratona de Cortegaça este ano). Em Roma, nos Europeus de 2024, saiu com o atual recorde pessoal (1:11:42) e poderá tentar quebrar essa marca aqui.
Quanto à mais veterana do trio, Mónica Silva, de 42 anos, tem 1:11:37 de recorde pessoal (de 2024) e este ano já correu 1:14:30. Pode também tentar aproximar-se da sua melhor marca, nesta que será, em teoria, uma das derradeiras chances para vestir a camisola da seleção.
Pódio de 2023 (meia maratona feminina)
| # | Atleta | País | Marca | Obs. |
| 1 | Peres Jepchirchir | KEN | 1:07:25 | CR |
| 2 | Margaret Kipkemboi | KEN | 1:07:26 | — |
| 3 | Catherine Amanang’ole | KEN | 1:07:34 | — |
Meia maratona masculina

Se no feminino há bons nomes vindos de África, no masculino a situação é bem similar e até com alguns atletas de outras origens à espreita de brilhar. Em traços gerais, pelo menos na profundidade, a meia masculina é até mais forte, com um total 18 atletas com recordes pessoais abaixo da hora, incluindo o português Samuel Barata – o recordista nacional é um dos 9 não-africanos com esse registo.
Olhando aos nomes mais fortes, pelo menos no papel, há quatro homens que surgem num plano superior em relação aos demais: Nicholas Kipkorir, o segundo na ‘meia’ de Lisboa atrás de Jacob Kiplimo, é o que tem melhor marca este ano (58:08); o seu compatriota Gideon Kipkertich (58:38); o etíope Tadese Worku (58:59); e ainda o sueco Andreas Almgren, o recordista europeu (58:41). Aqui será importante perceber de que forma o nórdico chega, já que esta prova insere-se na sua preparação para a estreia na maratona em Nova Iorque.
Além deste quarteto, há ainda outros nomes à espreita de entrar no top-10 e, quiçá, atacar o pódio. Yemaneberhan Crippa, que este ano bateu o recorde italiano (59:01), o francês Etienne Daguinos (59:27) ou Jimmy Gressier (59:45) são boas esperanças da Europa, com os Estados Unidos a terem expectativa com Conner Mantz (59:15) e o Canadá em Rory Linkletter (59:52).
Quanto aos portugueses, Samuel Barata é, como dissemos, um dos que já correu abaixo da hora, sendo provável que em Copenhaga possa apontar a, pelo menos, voltar a entrar na casa das 1:00, como fez em Lisboa este ano (1:00:36). Rui Pinto, este ano com 1:02:43 em Barcelona – numa prova na qual chegou algo debilitado fisicamente, aponta a um novo recorde pessoal (tem 1:01:52 do ano passado), podendo até tentar andar num segundo grupo.
Pódio de 2023 (meia maratona masculina)
| # | Atleta | País | Marca | Obs. |
| 1 | Sabastian Sawe | KEN | 59:10 | CR |
| 2 | Daniel Ebenyo | KEN | 59:14 | — |
| 3 | Samwel Mailu | KEN | 59:19 | — |

