Melhor europeia na Meia Maratona dos Mundiais foi uma campeã olímpica de… esqui de fundo

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No domingo, aquando do nosso artigo sobre a meia maratona dos Mundiais de estrada, dissemos que a belga Chloé Herbiet foi a melhor europeia em prova – com 1:08:44 -, mas na verdade… não foi bem o caso. É que, pelo menos em termos de tempo de chip (pois o que conta para efeitos oficiais é o tempo bruto…), a mais rápida europeia em Copenhaga foi a norueguesa Therese Johaug, uma atleta (retirada) do… esqui de fundo, com 1:08:43. Ainda assim, convém aqui frisar que as condições de prova foram diferentes, já que Herbiet competiu numa prova apenas com mulheres e Johaug partiu junto do pelotão popular, com homens ao seu lado.

“Oi? Fui a melhor europeia? Foi divertido… Se me dissessem antes, não teria acreditado. Estou um pouco chocada, melhor europeia? Chocada!”, atirou a atleta norueguesa de 38 anos, numa declaração ao VG na qual revelou ter mais no tanque: “acho que conseguia correr 30 segundos mais rápido!”

Os registos da norueguesa em prova

Pode parecer algo estranho para os menos conhecedores, mas a verdade é que são vários os casos de atletas do esqui de fundo a terem bons registos no atletismo e, também, o de profissionais do atletismo que aproveitam o esqui de fundo para manter a forma nos meses de inverno mais rigorosos. Por outro lado, a própria Johaug não é propriamente uma novata no atletismo, já que em 2019 foi mesmo a campeã nacional da Noruega dos 10.000 metros (com 32:20.86) e este ano já tinha vencido duas provas de 10 quilómetros – 33:17 e 32:43.

E, claro, não podemos também esquecer que a norueguesa é uma das mais bem sucedidas da história do esqui de fundo, com 6 medalhas olímpicas, incluindo 4 de ouro. Foi ainda campeã mundial em 14 ocasiões, tendo ainda mais 5 pratas e 4 bronzes. Nos últimos Mundiais que disputou, em Trondheim, não conseguiu qualquer título, mas acabou com quatro pódios, com 3 pratas e 1 bronze.

Mas há ainda um detalhe que torna toda esta história em algo mais incrível: Therese Johaug foi mãe nos últimos dias de 2025! Nove meses depois, após ter feito algumas provas de 10 quilómetros em abril e maio, consegue este registo brutal na meia maratona dos Mundiais.

Para se ter noção da valia desta marca, ainda que tenha sempre de ter o asterisco por não ser o registo que ficará como oficial (ficaremos para ver qual a marca que será comunicada), Therese Johaug passaria a ser a 4.ª melhor norueguesa de sempre, apenas atrás de três enormes figuras do atletismo do país (1:06:40, Ingrid Kristiansen; 1:06:55, Karoline Grovdal; 1:07:50, Grete Waitz). Até ontem, o seu recorde pessoal era de 1:11:27, de 2024.

Surpreendentemente… confortável

Após a prova, à imprensa local, partilhou a sua experiência e deixou uma observação curiosa. Até aos 18 quilómetros ia… confortável, com um batimento cardíaco nos 170 bpm. “Sentia que estava em boa forma, mas que fosse correr tão bem… Ainda tinha tanta energia! Estive praticamente sempre na zona 3; a minha frequência cardíaca andou pelos 170 [bpm], e é aí que fica a minha zona de limiar – o meu limiar ronda os 173 -, por isso senti-me mesmo muito bem“, revelou.

Estava tão soltinha que… “No final, pensei: ‘Ok, faltam 3 km, agora tenho de usar o meu VO2 máx’! E comecei a forçar, a forçar… mas entusiasmei-me um bocado cedo demais. Vi uma placa da Asics e pensei: ‘A meta é ali’! Mas qual quê: ainda havia uma curva e uma reta inteira pela frente. Na reta da meta só pensava: ‘Ai, caraças, vou conseguir chegar à meta?’ Tive de me focar ao máximo, aguentar a dor e dizer: ‘Ok, agora tens de chegar ao fim’.

Aos 38 anos, e retirada do esqui de fundo profissional desde o ano passado, Johuag se calhar não estaria a pensar ter uma nova vida no desporto de alta competição, mas talvez este resultado a leve a mudar os planos… “Agora só me apetece tentar mais e mais, não é? Tenho mesmo muita vontade de correr outra meia maratona, ou uma maratona, ou 10 km… há várias corridas este outono! E depois acho que há uma época de esqui no inverno, não é?

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