Ruti Aga, vencedora da Maratona de Tóquio de 2019, suspensa por seis anos por doping

A Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) aplicou uma pesada suspensão de seis anos a Ruti Aga, na sequência da suspensão provisória de que foi alvo há algumas semanas.

A atleta etíope, de 32 anos e figura de destaque do fundo mundial – era 11.ª do ranking mundial à data do teste positivo-, foi considerada culpada de violações das regras antidoping devido à presença e utilização de metilprednisolona, além de adulteração e obstrução à investigação.

O caso remonta a 15 de março de 2026, data em que Ruti Aga venceu a Meia Maratona de Meishan Renshou, na China. O controlo antidoping realizado após a prova detetou a presença de metilprednisolona, uma substância pertencente à classe de glicocorticóides e proibida em competição segundo a lista da Agência Mundial Antidoping (WADA).

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Além da infração inicial relacionada com a substância proibida, a investigação da AIU apurou que a atleta tentou contornar as sanções através de fraude.

Questionada por representantes da AIU em abril, Aga prestou falsas declarações e, semanas mais tarde, apresentou um documento falsificado que pretendia validar a prescrição médica do medicamento para um tratamento a uma lesão num joelho.

A investigação revelou que a receita médica era falsa: o documento provinha de uma clínica inexistente e o “médico” emissor era, na verdade, um familiar sem registo profissional nas autoridades competentes. Confrontado pelas autoridades, o indivíduo tentou justificar-se com um bloco de receitas antigo, mas a instituição confirmou que o mesmo nunca ali tinha exercido funções e que o receituário era falso.

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Com esta decisão, a AIU determinou uma penalização de dois anos pela presença e uso de substância especificada e quatro anos adicionais pela tentativa de adulteração de provas, totalizando um castigo severo de seis anos.

Brett Clothier, diretor executivo da AIU, sublinhou a importância do trabalho de investigação nestes casos. “Temos feito progressos significativos contra o doping na maratona nos últimos anos, mas ainda há muito a fazer. As investigações são vitais para expor falsas explicações e proteger a competição limpa”, afirmou, vincando que a decisão serve de aviso claro para quem tentar burlar o sistema.

Ruti Aga contava com um currículo de enorme destaque no panorama internacional das corridas de estrada, incluindo a vitória na prestigiada Maratona de Tóquio em 2019, quatro presenças no pódio das World Marathon Majors e os triunfos nas duas últimas edições da Maratona de Xiamen. Tem recorde pessoal de 2:18:09 na maratona (feito em Dongying 2023 e Dubai 2024) e ainda 1:06:39 na meia maratona (de Houston, em 2018).

A pena aplicada é válida até 10 de setembro de 2032 e Aga perde todos os resultados obtidos desde 15 de março, incluindo a vitória em Meishan.

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