Saucony Endorphin Speed 5: boas em tudo… sem serem excecionais

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Há marcas que marcam a nossa vida enquanto corredores e a Saucony, para quem vos escreve, é uma delas. Foi com modelos da marca que fiz 6 das 52 maratonas que tenho no meu registo (sim, tenho a lista completa!). Praticamente todas no pré-Covid, metade delas com as velhinhas mas apaixonantes Kinvara 9 nos pés. Com elas corri 3 maratonas, curiosamente todas em Espanha (Bilbau, Valência e Sevilha) e registei um dos meus melhores tempos antes de passar à magia das placas de fibras de tudo e mais alguma coisa.

Seis anos volvidos, em maio corri em Praga o meu segundo melhor tempo de sempre na maratona – 2:56 qualquer coisa -, tendo nos pés aquelas que são, à data, ainda as sapatilhas que entendo serem as melhores do ano para maratona, as Endorphin Elite 2. Umas sapatilhas absolutamente incríveis. Ali, naquele momento, percebi que apesar de me ter desligado da marca (ou ela de mim…), a Saucony continuava a produzir sapatilhas de elevada qualidade e que apenas falhava talvez uma ligação mais forte ao país para poder ter outra dimensão.

As Hurricane 25, que testei recentemente, mostraram-me também que no capítulo do conforto tudo continua a estar lá. Só faltava mesmo perceber o que valiam as outras joias da coroa, outro dos modelos que tem amealhado fãs por onde quer que passe: as Endorphin Speed 5.

Especificações técnicas

Peso231 gramas (42 EU)
Drop8mm (36mm – 28mm)
Uso recomendadoFast trainer
Preço200€
DisponibilidadeJá disponíveis

E dá para entender o porquê desse encanto. Porque as Speed 5 são boas em praticamente tudo. Sejam treinos diários ou rápidos, estão lá entregar aquilo que este tipo de modelos é suposto oferecer. Mas, claro, não são perfeitas. Como dizemos no título, são boas em (quase) tudo, mas não têm propriamente algo em que se distingam particularmente, o que pode fazê-las ficarem, por vezes, perdidas na rotação.

São boas como ‘daily trainer’, mas há modelos mais confortáveis; são rápidas para treinos de maior ritmo, mas há modelos que entregam sensações similares e são mais baratos; e não são propriamente um modelo para passar da barreira dos 20/25 quilómetros, o que lhes tira um pouco de margem. Mas são uma excelente opção. Que não tem propriamente por onde falhar. O problema, no fundo, é o facto do mercado ter cada vez mais opções e ser complexo escolher entre tanto…

O upper

Visualmente, em praticamente todos os esquemas disponíveis, estas Endorphin Speed 5 são um grande acerto. Conseguem transmitir a sensação de velocidade e o ar racing que dá nome ao modelo. E, o melhor de tudo, a forma como está construído também permite ter sensações de um puro ‘racer’. No caso, com um upper bastante respirável, generosamente acolchoado e, no global, bem confortável.

Em termos de ‘sizing’, gostamos da sensação de ajuste que tivemos tanto em parado como em treino, mas alertamos para a necessidade de tentar confirmar o tamanho, porque a Saucony tem uma pequenina diferença nos números em comparação com outras marcas (o ideal é seguir sempre o tamanho em centímetros). Não há versão Wide, mas no nosso caso não tivemos qualquer problema em termos de ajuste.

Sensações de corrida

As Endorphin Speed 5 não são apenas velocidade. São também conforto. A espuma PWRRUN PB é garantia de retorno de energia, mas também de amortecimento. Um amortecimento que se agradece quando estamos a colocar na estrada (ou na pista) um treino rápido mais exigente. Mas que não se sente tanto quando passarmos dos 20 ou 25 quilómetros. Aí entendemos que falta qualquer coisa extra.

Junto da espuma, a Saucony coloca ainda uma placa de nylon, que devolve muito bem a energia que colocamos no solo, mas de uma forma não tão agressiva. E isso ajuda a que este modelo não pareça tão ‘falso’ na sensação de corrida quando vamos a ritmos mais lentos. E é algo que o torna recomendável para corredores não tão rápidos, que estarão à procura de umas sapatilhas para correr uma meia maratona a um ritmo interessante (algo em torno dos 4’30 a 5’00/km).

Com 36mm de altura máxima na meia-sola, as Endorphin Speed 5 não são excessivamente altas e acabam, por isso, por ser bastante estáveis, mesmo em viragens algo mais apertadas. Essa altura de meia-sola, não sendo propriamente baixa para sentir o solo à antiga, permite ter, mesmo assim, uma sensação mais natural do que aquelas que vamos tendo noutros super trainers da mesma gama de preços.

O composto de sola

Os últimos meses em Portugal foram bastante curtos em termos de chuva, mas tivemos a chance de testá-las em calçada molhada num dos raros momentos de chuva (foi pouca…) que tivemos. E aí conseguimos perceber que, não sendo perfeita – em calçada portuguesa poucos modelos serão… -, a tração destas Endorphin Speed 5 está no ponto certo. Em seco e terra solta, aí responde a um nível bem elevado.

O composto, com um desenho relativamente diferente da versão anterior, promete durabilidade – com 100 km ainda não se notam marcas de desgaste – mercê da colocação em pontos estratégicos de borracha injetada, com um padrão curioso na parte frontal.

Valem a pena?

Aqui chegados, provavelmente já terão a resposta. Sim, as Endorphin Speed 5 valem a pena, mas depende sempre dos objetivos do corredor e, já agora, da sua carteira. É que 200 euros por um modelo que não se destaca de forma clara em nada – fazendo tudo bastante bem… – pode ser um investimento elevado. Especialmente quando as podemos comparar com umas Evo SL da adidas ou umas Rebel v5 da New Balance – modelos sem placa, mas que entregam sensações similares por um preço algo mais reduzido.

Já para os fãs da marca, que têm uma rotação consolidada e que procurem um companheiro rápido para juntar, por exemplo, a um racer como as Endorphin Elite 2, então sim é uma boa aposta.

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