Saucony Endorphin Azura: será este o melhor trainer rápido sem placa do mercado?

Ainda é muito cedo, mas podemos desde já deixar isto aqui: as Saucony Endorphin Azura vão ser um dos modelos a figurar na nossa lista de final de ano das melhores sapatilhas de 2026. Podemos estar muito enganados, e as demais marcas lançarem modelos de um nível superior neste segmento, mas parece-nos pouco provável que sejam capazes de chegar a este nível. Porque a Saucony colocou mesmo a fasquia muito elevada com estas Azura.

Os norte-americanos podem ter chegado um pouco tarde à ‘festa’, para lançar um modelo faz-tudo como as adidas Evo SL, aquele que para nós foi o melhor lançamento do ano passado. E sim, nós também entrámos no ‘comboio’ do hype das sapatilhas da adidas e temos de reconhecer que foram totalmente ultrapassadas por aquilo que a Saucony colocou aqui.

Para quem já usa modelos da marca há alguns anos, diríamos que estas são as sapatilhas que deveriam ter sido as Kinvara Pro… E, no fundo, era o modelo que faltava na oferta da marca norte-americana, aqui estrategicamente colocado na família Endorphin, a mais rápida, que já conta com as Endorphin Speed, Endorphin Pro e Endorphin Elite.

Olhando a nu, seria uma espécie de combinação entre as Endorphin Speed e as Ride, pois têm a velocidade das primeiras, mesmo sem ter placa, e também o conforto para ser usado de forma tranquila na longa distância, ainda que não de forma tão lenta.

A linha Endorphin explicada:

Endorphin Azura: premium daily trainer – rápido, versátil, ideal para treinos de ritmo e longos
Endorphin Speed 5: um trainer dinâmico com placa de nylon, ideal para treinos rápidos
Endorphin Pro 4: um race shoe com placa de carbono para atletas não-(sub)elite
Endorphin Elite 2: o modelo premium para competição da marca, brilha na meia e maratona

Especificações técnicas

Peso250 gramas (42 EU)
Drop8mm (40mm – 32mm)
Uso recomendadoTreinos rápidos e longos, sem placa
Preço160€
Disponibilidadejá à venda
Saucony Endorphin Azura

Saucony Endorphin Azura

365rider 160,00€ Ver na Loja

* Preço sujeito a alteração. Compra através do link para apoiar o VO2 Máximo.

Sensação de corrida

Fizemos o nosso teste principalmente em dois momentos. Treinos de velocidade na passadeira e um longo de 28 quilómetros, em condições muitíssimo complicadas (chuva durante 2 horas de forma ininterrupta e piso totalmente molhado). Em ambos os momentos, as Azura responderam da forma como esperávamos e confirmaram tudo aquilo que pedíamos. E até deram mais, especialmente no tal treino longo.

Nos de velocidade, o trabalho consistiu em 14x500m a ritmo de 10 quilómetros (3’40/km) e ainda 5x1800m a ritmo ligeiramente mais lento do que meia-maratona (3’58/km). Em ambos os momentos as Azura sentiram-se estáveis e também responsivas. Algo importante para rolar a esses ritmos, ainda para mais quando estamos numa fase brutal de carga, com quase dez semanas bem acima dos 100 quilómetros. O rocker, não sendo pronunciado, sente-se no momento de corrida, especialmente nas de 500m, permitindo uma fluidez de corrida muito interessante e divertida.

Quanto ao treino longo, diríamos que foi o momento em que pudemos dizer “sim, este modelo é mesmo incrível”. Até aqui, ao longo de várias semanas com longos ao fim de semana, sempre optámos por modelo com placa, normalmente aqueles racers que ponderamos levar para a prova. No penúltimo longo da preparação para Osaka, com um bloco de 19k a 4’20/30 e outro de 5k abaixo de 4’10, decidimos colocar as Azura à prova.

O ritmo era parte do desafio. Tanto para elas como para nós. Mas também as condições. Já lá iremos à resposta da sola, mas aquilo que mais nos impressionou foi a estabilidade ao longo de todo o treino. Mesmo com o piso molhado e passagens em pontos com solo já algo desnivelado. Nunca as sentimos a fugir, o que é algo incrível considerando que são um modelo alto (com 40mm de altura máxima). Para isso muito contribui a forma como as sapatilhas estão construídas, com uma plataforma ampla e, também, uma espécie de reforço interior – quase como se fosse um modelo de estabilidade – que ajuda a impedir que o pé role tanto para dentro.

O upper

Visualmente as Azura não são bem o modelo mais apelativo do mercado. Mas têm um aspeto racer que se nota a milhas. E, não sendo bonitas para a opinião de muitos, são em contrapartida um modelo com um upper muitíssimo bem estruturado e protegido, para lá de ser suficientemente respirável para aguentar os meses de calor do verão (será que ele vem?).

E são também um modelo suficientemente largo para encaixar bem em quem tem pés algo mais largos e com uma malha elástica o suficiente para se adaptar e abraçá-los sem fazer demasiada pressão.

A língua, por outro lado, é cosida de ambos os lados e, ainda que fina, tem suficiente material acolchoado para evitar roçar demasiado e provocar problemas no peito do pé. Já o calcanhar, tem o QB de proteção interior, apresentando por fora um peculiar triângulo, que estará ali para dar suporte… mas que é bem feio!

O composto de sola

28 quilómetros sob chuva persistente, com o piso encharcado, com passagens em asfalto, terra batida e até calçada portuguesa? Haverá melhor teste do que este? No final, com os pés totalmente encharcados, acabámos com a sensação de que em nenhum momento a sola das Azura nos escapou. Nem mesmo na calçada ou nas passagens em passadeiras totalmente molhadas. Claro que tivemos um cuidado extra, porque não queríamos arriscar demasiado, mas não fugimos a colocar lá o pé e não tivemos qualquer escorregadela. No capítulo da tração, a borracha XT-900 passou com nota elevada no teste.

E quanto à durabilidade? Não podemos fazer mais do que prever, mas tememos que não durem muito mais do que 500 quilómetros. Isto porque, apesar de ter uma boa proteção com borracha injetada, parece-nos que a camada é demasiado fina e, com o gasto natural, acabará por ceder. Ainda assim, convém frisar que há um reforço extra de borracha, esta algo mais resistente, nos pontos de contacto mais forte, o que poderá ajudar nessa proteção e prolongar a vida útil.

Valem a pena?

Aqui chegados. Sim, vale a pena! Se tivéssemos de defini-las de forma muito clara, diríamos que são umas Evo SL (bem) melhoradas. Ligeiramente mais responsivas e muito mais aptas para treinos bem longos. Enquanto as da adidas tinham um limite ali pela meia maratona, não teríamos qualquer receio em colocar as Azura à prova numa maratona. A única diferença será, se calhar, a capacidade para serem confortáveis a ritmos mais lento. Diríamos que aí se sentem algo meio desajeitadas.

Por 160 euros, num segmento que está a ficar cada vez mais competitivo e com propostas capazes de responder em pleno, as Azura por agora destacam-se como o melhor modelo do segmento.

Podes comprá-las em 365rider, com o desconto ‘VO2MAX‘.

Saucony Endorphin Azura - ponto a ponto
  • 8.5/10
    Amortecimento - 8.5/10
  • 8.5/10
    Conforto - 8.5/10
  • 8/10
    Responsividade - 8/10
  • 7.6/10
    Upper - 7.6/10
  • 9.2/10
    Tração da sola - 9.2/10
  • 8.8/10
    Durabilidade da sola - 8.8/10
  • 9.6/10
    Preço/qualidade - 9.6/10
8.6/10

Um dos modelos do ano?

Ainda é muito cedo, mas podemos desde já deixar isto aqui: as Saucony Endorphin Azura vão ser um dos modelos a figurar na nossa lista de final de ano das melhores sapatilhas de 2026. Podemos estar muito enganados, e as demais marcas lançarem modelos de um nível superior neste segmento, mas parece-nos pouco provável que sejam capazes de chegar a este nível. Porque a Saucony colocou mesmo a fasquia muito elevada com estas Azura. Enquadrados naquele segmento que as Evo SL da adidas ‘inauguraram’, as Saucony Endorphin Azura são tanto ou mais divertidas de usar quanto as sapatilhas da marca alemã, mas adicionando um dado muito importante: são perfeitas para acumular longos a bom ritmo, algo que a Evo SL falhavam.

Leave a Reply