As Skyward X 2 da HOKA colocam-nos num cenário um pouco confuso. Se gostamos delas? Muito. A ponto de puxarmos delas de forma regular nas últimas semanas. Se as recomendamos? Não. Porque, apesar de serem um modelo bem interessante, com um comportamento muito agradável e até terem perdido bastante peso em relação à primeira versão, os 235 euros de preço de lançamento são quase assustadores. E totalmente proibitivos.
Não sabemos bem onde a HOKA tem a cabeça na hora de atirar valores de venda destes produtos, mas é quase uma loucura colocar um preço desde num modelo para uso diário, sem ter aquele toque de ‘rocket’ que se quer num modelo de performance. Sim, as Skyward X 2 parecem duráveis, são (muito) confortáveis, são bastante estáveis e comportam-se muitíssimo bem para um uso diário. Mas 235 euros?!
Especificações técnicas
| Peso | 272 gramas (42 EU) |
| Drop | 5mm (44 mm – 39 mm) |
| Uso recomendado | Treinos diários, em especial com algum ritmo |
| Preço | 235 € |
| Disponibilidade | já disponíveis |
Hoka Skyward X 2
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Sensação de corrida
Um verdadeiro bólide todo o terreno para longas distâncias. Carregadinho de conforto. De uma forma muito genérica, é assim que podemos falar das HOKA Skyward X 2.
Olhando de forma geral, ainda que infelizmente não tenhamos a chance de testar tudo o que gostaríamos, diríamos que foi um dos modelos que nos deram a melhor sensação de amortecimento máximo nos últimos tempos e mantendo, mesmo assim, uma bem elevada capacidade de resposta. Terem 44mm de altura de meia-sola ajuda bastante nisso, é verdade. Mas é para isso que ela está.
Fazendo uma comparação algo arriscada, diríamos que as Skyward X 2 jogam na mesma liga que as Prime X3 da adidas e aí, nessa luta direta, até se apresentam com um preço mais competitivo. Ainda assim, é difícil para nós recomendar um modelo destes por este preço. Desculpa, HOKA…



Tal como as Prime X3, são um modelo maximalista com placa de fibra de carbono na meia sola, mas neste caso com apenas uma (e não 2, como no caso das adidas). Em termos de espuma, a HOKA aposta num duplo composto – PEBA na parte superior, a mesma que foi usada nas Cielo X1 3.0; EVA supercítica na parte inferior.
O que isso significa em corrida? Se a parte superior é incrivelmente macia – tal como são as Cielo X1 3.0 -, a inferior consegue criar um excelente contraste com uma maior firmeza. Isso em corrida faz com que haja não só uma boa resposta, mas também uma estrutura e estabilidade superiores. O que é, diga-se, o total oposto das Cielo X1 3.0, que são muito pouco estáveis…
Essencial para essa sensação oposto, no caso de elevada estabilidade neste modelo é, claro, a placa de fibra de carbono, aqui colocada com um formato em H. Não está aqui para dar retorno de energia, mas sim para aportar essa estabilidade necessária.
Além da espuma inferior e da placa, há outros dois aspetos que acrescentam estabilidade: as ‘paredes’ interiores e, ainda, a plataforma ultra larga. Tudo pesado, apesar do aspeto bulky – e de um peso ainda elevado -, as Skyward X2 conseguem dar efetivamente uma experiência de corrida verdadeiramente ‘max cushion’. Como não vimos noutro modelo até agora.
Onde melhor se comportam? Nos treinos a ritmos tranquilos. Quanto mais longos, melhor. Só lhes faltará, talvez, um pouco mais de versatilidade, ainda que sejam capazes de rolar a ritmos animados.
Mas não exagerem!
O upper
O primeiro ponto a destacar aqui é o conforto global que sentimos desde o primeiro em que as calçámos. O pé encaixa ali na perfeição e fica ajustado praticamente na perfeição. Depois, ainda que possa denunciar o contrário, o upper é até bastante respirável. Ser em cor clara ajuda a isso, mas o certo é que a forma como a HOKA o construiu permite esse comportamento bastante positivo. Até porque, por exemplo, a versão original também nos chegou em branco e tinha na acumulação excessiva de calor um dos grandes problemas.
Em termos estéticos, a HOKA apostou num ‘duvidoso’ brilho no símbolo e no nome do modelo na parte do calcanhar. Gostos não se discutem, mas a verdade é que esta opção ajuda a dar uma visibilidade superior em ambientes de menor iluminação, o que se agradece bastante.
Nota ainda para a língua e os atacadores. A língua, como bom modelo de conforto, está muito bem acolchoada e surge cosida a ambos os lados, o que impede os sempre irritantes deslocamentos durante a passada. Já os atacadores mantém-se com o formato tradicional.


O composto de sola
É outros dos pontos nos quais a marca francesa decidiu mexer em comparação com as Skyward X originais. Não mudam muito, é certo, mas o retoque dado permite manter a durabilidade elevada, melhorar ligeiramente a tração e, talvez mais importante de tudo, reduzir ligeiramente o peso.
Na sola, continua a haver um pequeno buraco, que nesta nova versão está algo mais estreito, o que continua a convidar (se calhar ainda mais) a que alguns pedrinhas fiquem lá presas nos momentos mais inoportunos.

Valem a pena?
Se são um modelo (muito) bom da HOKA? Claramente. Se as recomendo? Infelizmente, não. Porque, como disse acima, não podemos normalizar umas sapatilhas superarem os 200 euros. Muito menos umas sapatilhas para uso em contexto diário. Sim, têm características distintas do comum daily trainer, mas aqui falta versatilidade para justificar um preço tão elevado. Se, por exemplo, fossem uma boa opção para usar em treino mais ritmados, talvez pudesse dar o benefício da dúvida, mas assim…
Mas uma coisa é preciso dizer: são muito provavelmente o melhor ‘max cushion’ do mercado neste momento.

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Amortecimento - 9.5/109.5/10
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Conforto - 9.2/109.2/10
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Responsividade - 7/107/10
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Durabilidade - 8/108/10
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Tração da sola - 8.5/108.5/10
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Durabilidade da sola - 8.5/108.5/10
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Preço/qualidade - 6.5/106.5/10

