HOKA Clifton 11: um clássico melhorado

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Todas as marcas têm aqueles modelos que quase se confundem com as suas histórias. Na HOKA, esse estatuto pertence às Clifton, ainda que curiosamente sejam as Bondi as mais antigas quando falamos de modelos de estrada. Ainda assim, foi com as Clifton em 2014 que a marca se começou a destacar, especialmente por aquele design algo revolucionário para a época, com uma sensação de leveza surpreendente para o aspeto tão bulky.

12 anos passaram desde esse primeiro modelo e as Clifton continuam vivas. Já não são revolucionárias – na verdade, praticamente todas as marcas acabaram por seguir o caminho aberto pela HOKA, a marca então vista como única no mercado e tantas vezes olhada de lado -, mas continuam a ser uma escolha certeira quando o assunto é apostar num modelo que combine amortecimento e diversão.

A 11.ª versão não representa nenhuma mudança radical. Nem é um update enorme em relação ao modelo anterior. Mas, mesmo assim, tem retoques que fizeram com sejam dos modelos da saga que mais gostamos de testar. O contexto ajudou – uma lesão num momento inoportuno obrigou a recomeçar de forma controlada -, mas a verdade é que as Clifton 11 conseguiram preencher todos os pontos de análise necessários. Amortecimento, conforto, suporte e, também, responsividade quando pedida.

Especificações técnicas

Peso260 gramas (42 EU)
Drop8mm (42 mm – 34 mm)
Uso recomendadoTreinos diários
Preço160 € (preço de base)
Disponibilidadejá disponíveis
HOKA Clifton 11

HOKA Clifton 11

365rider €146.33 € Ver na Loja

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Sensação de corrida

O melhor elogio para se fazer da sensação de corrida que as Clifton 11 é consistência. São consistentes com todo o seu legado: amortecimento e conforto no ponto absolutamente perfeito. E com aquele toque de responsividade que sempre caracterizou a saga. A HOKA não mexeu em nada na fórmula, pelo menos não de forma radical, mas são os pequenos retoques, aqui e ali, que mudam bastante a experiência. Sim, o amortecimento, conforto e retorno de energia já lá estavam, mas neste novo modelo parece que os três aspetos deram um pequeno salto em frente.

São um daqueles modelos perfeitos para quilómetros fáceis. Para começar a semana com uma easy run e sem ter de pensar em grande coisa. No nosso caso, os treinos incluiam sempre retas no final e até aí as Clifton 11 responderam bem. Aliás, num os treinos tivemos alguns estímulos de 1 minuto ligeiramente abaixo dos 4’00/km. E mesmo não sendo as mais responsivas, nem as mais leves, para este tipo de trabalho, a verdade é que a sensação até foi bem interessante. Ainda que, naturalmente, as suas 260 gramas e a espuma menos responsiva acabe por fazer delas um modelo não indicado para trabalho de velocidade. Mas isso achamos que todos já sabem…

Sem nenhuma mudança radical, as Clifton 11 continuam também a ser bastante estáveis, até mesmo em viragens algo mais bruscas.

O upper

Visualmente falando, as Clifton 11 seguem a lógica habitual da saga, sem grandes invenções. A cor que nos chegou, para nossa sorte, foi provavelmente a mais bem conseguida entre todas as que lançaram. Mas aqui é sempre uma questão de gosto. Nós gostamos. Pode haver quem não goste. E está tudo bem. Passada a parte da opinião pura e dura, vamos a factos.

Comecemos pela respirabilidade, algo que tem sido tanta vez problemático nos tempos recentes, por causa do aumento das temperaturas um pouco por todo o mundo. E aí a Hoka fez um trabalho muito bem conseguido. Novamente, o facto de ser em tom branco pode ter ajudado, mas gostamos muito da sensação de respirabilidade que tivemos ao longo do nosso teste.

No global, a construção do upper parece estar bem mais resistente e bem mais trabalhada. Isso nota-se também na estrutura do modelo, que mantém a sua forma sem grande alterações. Outro ponto positivo passa pelos detalhes refletores a 360º, que melhoram bastante a sensação de segurança que sentimos, algo que vai ser especialmente importante nas próximas semanas, quando os dias começarem a ficar mais curtos.

Nota ainda para o calcanhar e a língua. O calcanhar e o seu contorno até ao tornozelo tem um bem genoroso enchimento de espuma e parece-nos muito bem conseguido para evitar aqueles temíveis problemas desta zona. Já a língua, não sendo perfeita – já lá vamos – está muitíssimo bem conseguida em termos de conforto, por ter também muito material acolchoado.

Nem tudo é positivo, ainda assim. Há dois aspetos que talvez pudessem estar diferentes: a língua não está cosida dos lados e pode haver algum tipo de movimento da mesma quando corremos. Outro detalhe é o facto do fit estar algo mais estreito. A Hoka costuma lançar versões Wide para resolver esse problema, mas até agora apenas temos a versão normal.

O composto de sola

Olhando à sola, e comparando-a diretamente com o modelo anterior, em termos visuais as diferenças são… inexistentes. E em termos de performance, se existem, nós não as sentimos. O que é um ponto algo negativo, pois a tração da sola no modelo anterior não era má, mas também não era brilhante. Em termos de durabilidade, aí notámos uma pequena melhoria. O desgaste ao cabo de 100 quilómetros é praticamente nulo, algo que no modelo anterior não tinha sido o caso.

Valem a pena?

Olhando para trás, estas devem ser as Clifton que valem mesmo a pena comprar em muitos anos. As anteriores não desiludiam, mas não eram um modelo “wow”. Na verdade, as 11 não são esse “wow”, mas são as que melhor respondem e mantêm vivo o legado daquele modelo que surgiu em 2014. Resumindo, são um modelo muito bom para acumular quilómetros fáceis, em termos de recuperação ou até mesmo longos a ritmos controlados. E com uma durabilidade que prometem chegar perto dos 1.000 quilómetros.

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