“Crafted for race day”. A inscrição, colocada no lado interior da língua, denuncia o propósito destas novas armas da New Balance e o nosso primeiro grande teste não podia ter sido mais exigente.
Para mim, porque no final de contas são as minhas pernas quem faz o trabalho, mas também para as próprias SC Elite v6, que logo de entrada iriam ser testadas numa maratona, em Varsóvia, no último domingo. Obviamente que fiz um treino prévio de adaptação – 1 hora, com 12 minutos de marathon pace (a 4’15) -, mas à segunda utilização foram logo os 42.195 quilómetros.
O resultado, dizendo-o já, foi 95% satisfatório: 3:08:54. O objetivo era correr entre as 3:03 e as 3:10, preferencialmente com ritmo progressivo e uma segunda meia maratona mais rápida, e acabou por ser parcialmente cumprido. Faltou o ritmo progressivo, não por problema das sapatilhas, mas por questões… estomacais. Porque, fosse pelas sapatilhas, o objetivo teria sido cumprido em absoluto.
Especificações técnicas
| Peso | 180 gramas (42 EU) |
| Drop | 8 mm (40 mm – 32 mm) |
| Uso recomendado | Performance |
| Preço | 280 € |
| Disponibilidade | já disponíveis |
New Balance SuperComp Elite v6
Sensação de corrida
Nem todas as ‘racers’ têm de ser ultra agressivas para merecerem uma nota amplamente positiva. As SC Elite v6 são talvez o maior exemplo disso mesmo.
Porque, apesar de não se sentirem naquele ponto de rebeldia que encontramos numas Puma Fast-R Nitro Elite 3 ou nas HOKA Cielo X1 3.0, a verdade é que são o modelo com este perfil mais ‘domável’ que mais nos agradou no último ano. Conseguimos compará-las, por exemplo, com as ASICS Metaspeed Sky Tokyo ou com as Puma Deviate Nitro Elite 4 e colocámo-las acima de ambas. Bem acima.
O fator que mais faz pender a balança é a sensação natural que nos dão a correr, mesmo tendo um grau de resposta bastante elevado. A espuma Infinion, um composto de alto desempenho em Aliphatic Thermoplastic Polyurethane (A-TPU), trabalha de forma muito eficaz para devolver a energia de cada passada, mas sem dar aquela sensação artificial de estarmos a afundar-nos no solo a cada momento. Isso faz até com que as SC Elite v6 se sintam até agradáveis em ritmos menos rápidos, o que é algo raro neste segmento dos ‘super shoes’, que normalmente se sentem ultra estranhos quando não lhes pedimos velocidade.
Mas, claro, é a correr rápido que elas se sentem no seu elemento. A rolar a ritmo de sub 3:00 à maratona (ou lá perto) sente-se o quão perfeitas foram desenhadas para este tipo de trabalho. Mesmo sendo algo estreitas e não terem aquelas plataformas largas para aumentar a estabilidade, sentem-se também sempre muito fáceis de controlar, tanto em reta como em viragens. Fizemos algumas algo pronunciadas, sempre àquele ritmo em torno de 4:10/km a 4:20/km, e em nenhum momento as sentimos com vontade de fugir para outro lado. Aí trabalha muito bem a placa de fibra de carbono, que com uma nova configuração da placa consegue aumentar ligeiramente a rigidez na zona dianteira, mas sem que isso lhes adicione mais agressividade.



O upper
Havia poucas coisas que me faziam duvidar em testá-las em maratona e o upper era a maior dúvida nesse particular. Em concreto pelo ajuste algo apertado das sapatilhas e um tamanho ligeiramente mais curto do que o normal. Habitualmente peço o 42EU (ou 26cm) e costumo ter uma folga bem interessante. Nas SC Elite v6 a folga estava lá, mas notava que era algo mais curta e, para evitar problemas, tive de recorrer ao furo extra.
Na manhã da prova ainda duvidava, mas lá fui. E não me arrependi. Terminei a maratona com os pés impecáveis e sem qualquer problema com as unhas, como no ano passado me tinha acontecido com as Saucony Endorphin Elite 2.
Passado esse ponto de dúvida, tudo o resto não nos dava qualquer incógnita à partida e foi confirmado de forma absoluta. A respirabilidade é praticamente perfeita – graças a uma malha translúcida, com tecnologia FANTOMFIT -, o contorno do calcanhar, ainda que minimalista, cumpre muito bem a missão de proteger e equilibrar o conjunto. A sensação é mesmo aquela que a marca descreve: o upper é como uma segunda pele.
O único ponto talvez menos positivo aqui é mesmo a língua, que ao não estar cosida dos lados poderá mover-se. Ainda assim, temos de dizer que é algo que não tivemos problemas.
Visualmente, sendo sempre algo de gosto pessoal, gostamos muito do aspeto deste modelo no esquema de cores que nos foi disponibilizado. Bonito, sóbrio e, ao mesmo tempo, com um toque claramente racer.



O composto de sola
Era outro ponto de incógnita ao olhar para elas numa primeira abordagem. A sola, com muito material exposto e uma reduzida camada de borracha de alta resistência, denunciava que podia dar-se o caso da durabilidade ser um problema. Feitos mais de 50 quilómetros, a resposta dada foi de nota bem elevada. Olhando ao desgaste cumpridos esses quilómetros, com 42 quilómetros de uma só vez, está num estado ainda imaculado e supera claramente esse primeiro teste de fogo.
Em termos de tração, apesar de parecer algo frágil nesse particular, por ter um padrão pouco agressivo, a verdade é que a sola agarrou de forma perfeita. Tanto no asfalto seco como em terra batida e em momentos de asfalto mais molhado – nomeadamente à passagem dos abastecimentos na maratona.
Nesse particular, e numa altura na qual a adidas está debaixo de fogo pelas supostas falhas na durabilidade da sola das suas Adizero Adios Pro 5, a New Balance fez aqui um trabalho muito bem conseguido.

Veredito
Temos testado de forma pontual modelos da New Balance, mas esta foi a primeira vez que nos chegou um de performance. Teria sido interessante ter um ponto de comparação, mas a verdade é que, parece-nos, este foi o primeiro raceday shoe de topo que a marca norte-americana lançou. Está lá definitivamente tudo o que um corredor (avançado) procura para um modelo desta categoria.
Sim, falta-lhes alguma agressividade – e quem está habituado a modelos como as Fast-R NITRO Elite 3 irá notá-lo -, mas achamos que esta proposta é bem mais acessível a um lote alargado de corredores. Diríamos que rendem bem em maratona até a um ritmo de 4’30/km. Já mais lento do que isso poderão não ser a melhor opção, até porque a sola eventualmente será penalizada pelo excesso de contacto prolongado com o solo.
Se os 280€ se justificam? Aí é um pouco em função da carteira de cada um… Mas que são uma excelente proposta da marca norte-americana, lá isso são!



New Balance SuperComp Elite v6 - ponto a ponto
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Amortecimento - 9/109/10
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Conforto - 9.5/109.5/10
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Responsividade - 9/109/10
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Durabilidade - 8.5/108.5/10
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Tração da sola - 9.1/109.1/10
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Durabilidade da sola - 8.6/108.6/10
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Preço/qualidade - 8/108/10

