Depois de Sydney, Berlim e Chicago, esta última com marcas históricas para Amos Kipruto (2:01.09) e Hawi Feysa (2:13:33), a temporada das Abbott World Marathon Majors tem este domingo o seu ponto final, na já habitual Maratona de Nova Iorque. Provavelmente uma das mais lentas do circuito, mas também das mais icónicas, talvez apenas atrás de Boston nesse particular.
Neste artigo poderá ficar a par de tudo sobre a prova norte-americana, desde os horários e transmissões, ao percurso, elite e até os prize money. Está tudo aqui!
Horários e onde ver
A Maratona de Nova Iorque terá transmissão em direto para Portugal (e para toda a Europa) através dos canais Eurosport e também na plataforma HBO MAX. É possível seguir toda a ação com comentários em português ou, então, selecionar outros áudios, como o inglês.
Como habitual, a prova contará com partidas separadas entre homens e mulheres, com as senhoras a saírem pelas 8:35 locais, meia hora antes dos homens. Os horários estão abaixo:
| Nova Iorque | Lisboa | Rio de Janeiro | |
|---|---|---|---|
| Prova elite feminina | 8:35 | 13:35 | 10:35 |
| Prova elite masculina | 9:05 | 14:05 | 11:05 |
| Ondas populares | 9:10 em diante | 14:10 em diante | 11:10 em diante |
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O percurso
O percurso da Maratona de Nova Iorque desenha um traçado ponto a ponto que une os cinco grandes boroughs da metrópole, com partida imponente em cima do tabuleiro da Verrazzano-Narrows Bridge (em Staten Island) e chegada icónica no coração de Manhattan, em pleno Central Park.
Ao longo dos 42,195 quilómetros, a prova percorre dezenas de bairros multiculturais emblemáticos – como Bay Ridge, Williamsburg, Long Island City e Harlem -, empurrada por mais de um milhão de espectadores que criam uma das atmosferas mais ruidosas e eletrizantes do atletismo mundial.
Ao contrário de maratonas planas e desenhadas para recordes, o traçado nova-iorquino é técnico, ondulado e implacável para o ritmo. Os atletas enfrentam a travessia de cinco grandes pontes, a começar pela monumental subida da Verrazzano-Narrows Bridge logo após o tiro de partida, a passagem de Brooklyn para Queens pela Pulaski Bridge, e a silenciosa e dura ascensão da Queensboro Bridge – é bem dura! -, que desagua na explosão de som da Primeira Avenida.
Depois de uma rápida e enérgica incursão pelo Bronx através das pontes Willis Avenue e Madison Avenue, o percurso regressa a Manhattan para os seus quilómetros mais exigentes: a subida contínua e desgastante da Quinta Avenida e as sucessivas elevações e descidas (rolling hills) no interior do parque até à meta junto à Tavern on the Green, exigindo uma corrida de extrema maturidade e gestão tática.


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ADIDASO clima
Nova Iorque tem sido, regra geral, uma maratona simpática para os maratonistas em termos de clima. Olhando ao passado recente, de 2010 para cá, a média de temperatura andou entre os 8ºC de mínima e 14ºC de máxima. Condições perfeitas para correr os 42 quilómetros, ainda que tenha havido anos atípicos: como 2022, em que à hora da partida estavam uns surreais 20ºC.
E a previsão para este ano? Afinal, as condições parecem ser mais simpáticas do que inicialmente se antecipava. De acordo com as últimas previsões para Nova Iorque, esperam-se cerca de 10-11 ºC à partida, pelas 9h, e 13 ºC por volta das 11h. A temperatura continuará a subir ao longo da manhã, podendo atingir os 16 ºC durante o início da tarde. Não serão as condições frescas de algumas edições, nem tão pouco o calor de 2022, mas também não se prevê um cenário particularmente problemático. Com vento fraco e sem chuva prevista, as condições deverão ser favoráveis para correr. Ainda assim, quem terminar durante a tarde poderá sentir algum desconforto com a subida da temperatura, sobretudo na segunda metade da prova. Para a elite, as condições parecem bastante razoáveis, ainda que ligeiramente acima do ideal para procurar grandes marcas.

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Ameaça sueca ao bis de Benson Kipruto

Pode um atleta nascido na Europa vencer uma Major? Até agora, desde que o circuito foi inaugurado, em 2006, nunca tal aconteceu e os únicos europeus a vencer foram atletas nascidos no continente africano (Mo Farah, em Chicago 2018; e Abdi Nageeye, em Nova Iorque 2024). E nunca como agora há um real expectativa para perceber se será desta. Tudo por causa da presença, em estreia na distância, de Andreas Almgren.
O sueco é uma das maiores super-estrelas do atletismo europeu – talvez a maior, a par de Jakob Ingebrigtsen – e é com reais ambições que chega a Nova Iorque. Entrará em cena depois do recorde europeu (58:06) que lhe valeu o título mundial da meia maratona e também de uma preparação diabólica, com 2.000 quilómetros feitos em 10 semanas. O que isso lhe valerá no sobe e desce de Nova Iorque? É essa a maior incógnita.
Bem mais experimentado (e bem sucedido) neste tipo de percursos, Benson Kipruto volta a Nova Iorque para defender o título do ano passado, em busca da sua quinta vitória em Majors. De preferência, pensará o queniano, sem tanto suspense como no ano passado, quando apenas conseguiu bater Alexander Mutiso no sprint final. Com 2:02:16 de recorde pessoal (Tóquio 2024), Kipruto foi este ano 3.º em Boston, com uns sensacionais 2:02:50, que abrem boas perspetivas para vê-lo também no exigente traçado de Nova Iorque de novo.
Ainda que os tempos de recorde pouco costumem valer em Nova Iorque (o melhor tempo do percurso está em 2:04:58 (Tamirat Tola, em 2023), a verdade é que a prova deste ano reúne um elenco que promete correr bem rápido, com outros 7 abaixo das 2:05. E alguns deles com boas memórias desta prova, como Geoffrey Kamworor, vencedor de 2017 e 2019, e o já referido Abdi Nageeye, vencedor de 2024. Há também alguns estreantes neste traçado e outros à procura de melhores memórias, como CyBrian Kotut, Deresa Geleta.
Os da casa também têm dois excelentes nomes presentes e podem até sonhar com algo mais, tal como Andreas Almgren. No caso as principais referências são Zouhair Talbi, o norte-americano mais rápido de sempre na distância, mas com 2:03:45 não homologáveis em Boston. E ainda o recordista ‘real’ (2:04:43) Conner Mantz, que aqui volta depois de ter sido 6.º em 2024.

No que a europeus diz respeito, além de Almgren há ainda o italiano Yemaneberhan Crippa (2:05:18 este ano em Paris [2:05:18] e 7.º nos Mundiais de estrada na meia maratona), Peter Lynch (2:06:08 este ano em Londres) e o britânico Patrick Dever, que foi promovido ao pódio da edição do ano passado, após a suspensão por doping de Albert Korir. Nessa edição, em estreia na distância, fez 2:08:58 e este ano já melhorou para 2:06:18 em Londres.
Muitos nomes que prometem bastante, pelo menos para lutar pelo top-10, mas como Dever mostrou em 2025… lutar pelo pódio é também possível.
Elite masculina
| Atleta | País | Tempo |
| Benson Kipruto | KEN | 2:02:16 |
| Deresa Geleta | ETH | 2:02:38 |
| CyBrian Kotut | KEN | 2:03:22 |
| Zouhair Talbi | USA | 2:03:45 |
| Abdi Nageeye | NED | 2:04:20 |
| Geoffrey Kamworor | KEN | 2:04:23 |
| Conner Mantz | USA | 2:04:43 |
| Kengo Suzuki | JPN | 2:04:56 |
| Yemaneberhan Crippa | ITA | 2:05:18 |
| Edward Cheserek | KEN | 2:05:24 |
| Ryota Kondo | JPN | 2:05:39 |
| Ryan Ford | USA | 2:05:46 |
| Joe Klecker | USA | 2:05:56 |
| Peter Lynch | IRL | 2:06:08 |
| Patrick Dever | GBR | 2:06:18 |
| Haftu Strintzos | AUS | 2:06:20 |
| Jack Rowe | GBR | 2:07:47 |
| Kamohelo Mofolo | LES | 2:08:50 |
| Sam Chelanga | USA | 2:08:50 |
| JP Flavin | USA | 2:09:17 |
| Turner Wiley | USA | 2:09:27 |
| Andrew Colley | USA | 2:09:33 |
| Robert Miranda | USA | 2:09:40 |
| Joel Reichow | USA | 2:09:56 |
| Aidan Troutner | USA | 2:10:23 |
| Stephen Jones | USA | 2:11:17 |
| Mo Bati | USA | 2:12:29 |
| Aidan Reed | USA | 2:13:58 |
| Owen Ritz | USA | 2:14:19 |
| James Nipperess | AUS | 2:15:03 |
| Merga Gemeda | USA | 2:15:12 |
| Alec Baldwin | USA | 2:15:38 |
| Ryan Cutter | USA | 2:17:24 |
| Andreas Almgren | SWE | Estreia |
| Patrick Kiprop | KEN | Estreia |
| Ahmed Muhumed | USA | Estreia |
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Hellen Obiri defende título

Sem Sifan Hassan, que anunciou a ausência da prova há duas semanas, a detentora do título e recordista do percurso Hellen Obiri é ainda mais favorita. De volta ao seu habitat natural, depois de uma bem sucedida incursão na bem mais plana Maratona de Londres (onde fez um recorde pessoal bem mais condizente com o seu talento, ao ser 2.ª atrás de Tigst Assefa, com 2:15:53), a queniana é a candidata número um a vencer e a maior dúvida é saber que tipo de tática será seguida. Se o fizer, será campeã pela 3.ª vez e manterá uma tendência incrível: fez sempre pódio desde 2022.
A maior ameaça, pelo menos teórica, será a compatriota Sheila Chepkirui, no ano passado 3.ª em Nova Iorque, atrás de Obiri e de Sharon Lokedi, que este ano já fez a sua maratona de outono em Chicago. Chepkirui este ano já venceu Osaka, em janeiro, mas depois disso andou pela pista sem deixar nada de brilhante para amostra.

Ainda abaixo das 2:20 horas há outro duo queniano e também bem experiente nestas andanças: Viola Cheptoo, 6.ª este ano em Tóquio e 2.ª em Nova Iorque 2021, e ainda a veteraníssima Edna Kiplagat, que aos 46 anos já correu este ano 2:25:44 na Cidade do Cabo (foi 6.ª).
No plano interno, a baixa de Fiona O’Keeffe (a 4.ª do ano passado) irá ser notada, mas as cores da casa serão defendidas por mulheres que prometem. Jessica McClain é aquela que tem melhor registo pessoal, feito este ano em Boston (2:20:49), mas há que ter em conta Annie Frisbie, a 5.ª na Maratona de Nova Iorque do ano passado e que este ano correu 2:22:00 na prova do Massachusetts.
E atenção à estreante Weini Kelati, que este ano já bateu o recorde nacional da meia maratona (1:06:04) e, no recente Mundial de estrada, foi 6.ª com 1:06:35. Um registo importante, que abre perspetivas de uma estreia promissora em Nova Iorque.
Quanto a europeias, a alemã Fabienne Königstein é a mais bem cotada (2:22:17), numa prova na qual tentará, de certa forma, esquecer o abandono nos Europeus. Depois disso, foi 2.ª em Colónia (1:10:55), numa prova que serviu de teste para esta maratona. De Itália há ainda Giovanna Epis, com 2:23:46 de 2023, mas que este ano desiludiu bastante nas provas que fez – 2:55:42 em Barcelona e 2:33:02 nos Europeus.
Nota final para uma potencial candidata a surpresa. Julia Paternain, a medalha de bronze dos Mundiais do ano passado, vai para a sua quarta maratona, depois de em Londres ter batido recorde nacional (2:25:47). Se a prova for tática, a resiliência da uruguaia pode fazer diferença.
O pelotão feminino
| Atleta | País | Tempo |
| Hellen Obiri | KEN | 2:15:53 |
| Sheila Chepkirui | KEN | 2:17:29 |
| Viola Cheptoo | KEN | 2:19:05 |
| Edna Kiplagat | KEN | 2:19:50 |
| Mercy Chelangat | KEN | 2:20:30 |
| Jessica McClain | USA | 2:20:49 |
| Annie Frisbie | USA | 2:22:00 |
| Fabienne Königstein | GER | 2:22:17 |
| Carrie Ellwood | USA | 2:22:53 |
| Giovanna Epis | ITA | 2:23:46 |
| Rie Kawauchi | JPN | 2:24:16 |
| Amanda Vestri | USA | 2:24:49 |
| Lauren Hagans | USA | 2:25:47 |
| Julia Paternain | URU | 2:25:47 |
| Phily Bowden | GBR | 2:25:57 |
| Paige Wood | USA | 2:26:02 |
| Steph Bruce | USA | 2:27:47 |
| Roberta Groner | USA | 2:29:09 |
| Mica Rivera Wood | PER | 2:29:13 |
| Megan O’Neil | USA | 2:31:31 |
| Monica Hebner | USA | 2:32:40 |
| Brooke Starn | USA | 2:35:22 |
| Alosha Southern | USA | 2:36:10 |
| Keelah Barger | USA | 2:36:13 |
| Maddie Block | USA | 2:36:25 |
| Cailie Hughes | USA | Estreia |
| Weini Kelati | USA | Estreia |
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Prize money e bónus
Tal como Chicago, a Maratona de Nova Iorque paga 100 mil dólares ao vencedor, mas é bem mais ‘democrática’ na forma como distribui o restante prize money. Ao invés de compensar apenas os 5 primeiros como a prova da Windy City, há prémios até ao 10.º colocado.
Por outro lado, há também chorudos prémios à espera dos melhores norte-americanos (25 mil dólares, 15 mil, 10 mil, 5 mil e 3 mil).
Já a categoria de cadeira de rodas paga do primeiro ao sexto colocado, exatamente metade do valor que é pago aos atletas da prova de atletas de corrida.
| Posição | Valor |
|---|---|
| 1.º | $100,000 |
| 2.º | $60,000 |
| 3.º | $40,000 |
| 4.º | $25,000 |
| 5.º | $15,000 |
| 6.º | $10,000 |
| 7.º | $7,500 |
| 8.º | $5,000 |
| 9.º | $2,500 |
| 10.º | $2,000 |
Correr rápido não costuma ser o grande objetivo da Maratona de Nova Iorque, visto serem provas normalmente bastante táticas, mas é sempre possível termos corridas para a história como a feminina do ano passado, que valeu um recorde do percurso a Hellen Obiri. Se a queniana tiver ideias de bater essa marca (2:19:51), certamente saberá que há 50 mil dólares à sua espera…
| Marcas a bater | Valor de bónus | |
|---|---|---|
| Masculino | 2:04:58, Tamirat Tola, 2023 | $50,000 |
| Feminino | 2:19:51, Hellen Obiri, 2025 | $50,000 |
| Cadeira de rodas masculino | 1:25:26, Marcel Hug, 2022 | $50,000 |
| Cadeira de rodas feminino | 1:39:32, Catherine Debrunner, 2023 | $50,000 |

