HOKA Mach 7: uma novidade que parece vinda do passado

Ajuda-nos a manter este projeto vivo e crescer ainda mais

Dois anos depois, a HOKA recupera as Mach, para apresentar no mercado um modelo muito similar ao que tinha lançado há dois anos. Em 2024, as Mach 6 eram dos modelos mais apreciados pelos fãs da marca. Dois anos volvidos, num mercado tão diferente, muitos esperavam uma revolução ou uma renovação pelo menos a nível de espuma. O que a HOKA fez nesse particular? Nada. A espuma é exatamente a mesma e esse acaba por ser, de certa forma, um ponto de desilusão com este update. Especialmente considerando o segmento no qual se tentam encaixar. Dizemos tentar porque, na verdade, provavelmente vão ficar muito de parte…

Para quem está habituado aquele toque ‘soft’ de modelos com as adidas Evo SL ou as Saucony Endorphin Azura – que são duas opções que se colocam na mesma gama -, estas Mach 7 provavelmente não serão a melhor opção. Porque, ao invés daquela sensação de afundar e devolver energia desses dois modelos, este modelo da marca francesa é muito mais firme. E mesmo tendo 37mm de altura de meia-sola sente-se bem mais em contacto com o solo precisamente por ter essa firmeza na forma como devolve energia.

Não são um modelo para toda a gente. Nem tão pouco para todo o tipo de treinos ou distâncias.

No fundo, a HOKA tentou não cair no erro da Saucony com as Kinvara. Ao invés de manter a fórmula, a marca norte-americana abandonou o original e tentou seguir na direção do que o mercado pedia. E aí perdeu-se toda a identidade e, em consequência, já ninguém se lembra muito bem de onde ficaram aquelas sapatilhas que criaram uma enorme base de fãs.

As Mach 7 seguem no caminho inverso. Mantêm a fórmula anterior. Mantendo-se fiel à tradição. Se calhar muitos esperavam que a HOKA deixasse de lado esta espuma (a mesma da versão anterior) e apostasse numa nova espuma. Não foi esse o caso.

HOKA Mach 7

HOKA Mach 7

Ana Dias 136,00€ Ver na Loja

* Preço sujeito a alteração. Compra através do link para apoiar o VO2 Máximo.

Especificações técnicas

Peso210 gramas (42 EU)
Drop5mm (37mm – 32mm)
Uso recomendadoDaily trainer versátil (max. meia maratona)
Preço165€
Disponibilidadedisponíveis em 5 esquemas de cores

Sensação de corrida

Como dissemos acima, não esperem nada exageradamente macio, nem aquela sensação de trampolim. As Mach 7 são outra coisa. São um modelo de resposta algo firme, que se sente na sua praia quando lhes pedimos velocidade. Não aquela velocidade de prova a fundo, mas antes aqueles treinos Tempo ou, então, trabalhos progressivos em que andamos maioritariamente em ritmos relativamente intensos.

Aqui apenas com uma ressalva: entendemos que o limite em termos de distância/tempo estará ali em torno dos 15/20 quilómetros (90 minutos, em tempo). Para lá disso – ou até mesmo antes para alguns corredores -, a excesso de firmeza na meia-sola torna a corrida em algo um pouco menos confortável. A espuma é relativamente bem amortecida, mas meio que se esgota quando passamos uma certa barreira. No fundo, é um pouco a lógica de mercado: há modelos pensados para distâncias curtas e outros para mais longas – e estas encaixam no primeiro grupo.

No nosso caso, vindos de correr duas maratonas – Londres e Belfast -, usámos e abusámos das Mach 7 na nossa semana posterior à última prova. E isso colocou-as num ponto que não foi propriamente benéfico, porque obrigou a responder perante umas pernas bem cansadas. E isso notámos logo no primeiro contacto. Essa impressão inicial não foi bem positiva. Mas assim que conseguimos libertar-nos da habitual fadiga acumulada – que na altura pedia precisamente um daqueles modelos (exageradamente) macios – começámos finalmente a sentir das Mach 7 no seu esplendor.

O último teste foi um treino de 1h10, com um bloco pelo meio de 55′ em ritmo já algo ‘animado’. Aí, quando as puxámos para perto dos 4’30/km (a maratona mais rápida do bloco foi a 4’10/km), tivemos aquela tal sensação de que era mesmo ali que estavam na sua praia. E tirámos todas as dúvidas. Tanto na capacidade de aguentar o ritmo, como pela sensação de que o amortecimento se ia perdendo e as nossas pernas iam pagando. Menos mal que o treino acabou aos 70 minutos.

Em suma, as Mach 7 são um ‘work horse’ que pode valer a pena ter à mão na rotação para todo o tipo de preparações. Sempre tendo em conta aquele aspeto da distância máxima. Pode também ser usado em provas, mas sempre que não passem dos 10 quilómetros. E não a ritmos muito abaixo dos 3’30/km.

O upper

O visual nunca é, nem será, um ponto essencial na nossa escolha. Mas é por aí que vamos começar. Porque gostamos mesmo do look deste modelo. O upper parece-nos muitíssimo bem construído e a conjugação de cores está no ponto certo. Sem ser demasiado formal. Sem ser demasiado berrante. Está claramente no ‘sweet spot’.

Por outro lado, a HOKA conseguiu aqui colocar um dos uppers mais respiráveis que já experimentamos neste ano. Pelo menos na aparência inicial destas duas semanas de treinos mais intensivos. Sim, o calor ainda não chegou cá em força, mas temos todos os indicadores que nos apontam para tal.

A superior ventilação tem, contudo, um ponto negativo normalmente associado. A não ser que o material seja ultra-premium, o mais certo é a durabilidade ser algo comprometida. É este um desses casos. Acreditamos que o upper poderá começar a ceder ao cabo de algumas centenas de quilómetros e/ou com eventuais usos um pouco mais agressivos.

O composto de sola

Outra das mudanças desta nova versão está na sola. Não tanto na posição da borracha, mas antes pelo facto de serem agora usados dois compostos diferentes. Um na zona lateral frontal e no interior; outra mais focada na zona do calcanhar exterior. Uma borracha em tons de vermelho, um pouco mais resistente, pensada para aportar durabilidade. Esse aspeto, em teoria, não parece ser problemático.

O dado mais importante aqui é, ainda assim, a tração da sola. Nestas semanas não testámos verdadeiramente em molhado, mas de alguns treinos em terra solta e alguma gravilha ficamos bem agradados pela forma como nos foi possível colocar o pé e seguir, mesmo com viragens bruscas, e não ter qualquer problema de agarrar ao solução.

Aqui este dado vai também de mão dada com outro: por ter uma espuma algo mais firme e não ser tão alta como demais concorrentes, as Mach 7 são bastante estáveis e isso ajuda muito a que a tração seja também de confiança.

Sola tem agora dois compostos. A inserção no calcanhar serve para melhorar durabilidade

Valem a pena?

Depende… Há muitos modelos que nos levam a começar com esta resposta, especialmente aqueles que nos parecem tão específicos; aqueles que nos fazem suspeitar que podem ser adorados por muitos e odiados por outros. As HOKA Mach 7 podem ser mesmo isso.

Quem gosta de ter um pouco de maior de sensação de contacto com o solo, vai adorar este modelo. Quem está a ficar habituado àquela sensação de flutuar, de ter uma espuma ultra-macia debaixo dos pés e um retorno até algo exagerado, vai sentir falta (disso tudo).

Para quem está a começar e quer umas sapatilhas para tudo, esta pode ser uma boa opção. Isto, claro, se fizer uma caminhada de entrada na modalidade da forma correta: distâncias curtas e só depois, após uma boa habituação tentar (ou não) algo mais longo. Com uma ressalva: desde que o seu peso não supere muito os 70 kg…

Uma coisa deixamos para o final: sim, a Hoka pode ter feito bem em manter-se fiel à tradição. Mas as eventuais Hoka Mach 8 têm de apresentar algo de novo. Algo de novo a sério.

Hoka Mach 7 - análise ponto a ponto
  • 7/10
    Amortecimento - 7/10
  • 7.6/10
    Conforto - 7.6/10
  • 8/10
    Responsividade - 8/10
  • 8.4/10
    Durabilidade - 8.4/10
  • 9/10
    Tração da sola - 9/10
  • 8.2/10
    Durabilidade da sola - 8.2/10
  • 7.8/10
    Preço/qualidade - 7.8/10
8/10

Pediam-se mais mexidas

Dois anos depois, as HOKA Mach estão de volta. Num mercado tão diferente, voltam praticamente iguais na fórmula de espuma, apenas apresentando alguns retoques no upper e na sola. Muitos esperavam uma revolução ou uma renovação, especialmente na meia-sola. Esse acaba por ser, de certa forma, um ponto de desilusão com este update. Especialmente considerando o segmento no qual se tentam encaixar. Dizemos tentar porque, na verdade, provavelmente vão ficar muito de parte…

Leave a Reply